O governo brasileiro acompanha com atenção as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com a expectativa de que uma eventual derrota do Partido Republicano possa criar condições mais favoráveis para a retomada das negociações bilaterais com Washington.

A avaliação, segundo interlocutores do governo, é de que uma vitória do Partido Democrata pode reduzir a margem de manobra de Donald Trump e favorecer uma postura mais pragmática dos Estados Unidos nas tratativas com o Brasil. A informação foi apurada pela âncora da CNN Tainá Falcão, durante o Bastidores CNN.

Conselheiros de Lula consideram que a perda de maioria no Congresso americano pode obrigar Trump a rever prioridades nos últimos dois anos de mandato, inclusive no campo da política externa. A expectativa é de que isso resulte em menor interferência em questões políticas de países latino-americanos e em maior disposição para negociações sobre tarifas.

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Negociações sobre tarifas paralisadas

Uma das principais preocupações do governo brasileiro diz respeito à retomada das conversas sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros. As negociações estão paralisadas desde 30 de setembro, quando ocorreu a última reunião entre representantes dos dois países. O governo brasileiro aguarda uma lista de reivindicações dos Estados Unidos para que as conversas possam avançar.

A avaliação de fontes ligadas ao governo é de que uma eventual mudança na composição do Congresso americano pode provocar também a reorganização da equipe de Donald Trump, abrindo espaço para novos interlocutores. Uma maioria democrata ainda poderia favorecer discussões de interesse do governo brasileiro, como a regulação das chamadas big techs.

Imprevisibilidade de Trump pesa nas análises

Apesar das expectativas, integrantes do governo reconhecem que o resultado das eleições americanas não garante uma mudança imediata na postura de Washington. A analista de Política da CNN Isabel Mega reforçou esse ponto ao destacar que as negociações ficaram pendentes, primeiro em razão das eleições brasileiras e, em seguida, por conta das eleições americanas.

Segundo Mega, há uma avaliação de algumas fontes de que, caso Donald Trump saia enfraquecido do pleito, ele pode “baixar um pouco a bola e voltar a negociar com países como o Brasil”.

A analista lembrou que o chamado “tarifaço” tem efeitos sobre o mercado interno americano, encarecendo produtos para os próprios consumidores dos Estados Unidos — um dos temas centrais das eleições de meio de mandato.

No entanto, Mega ressaltou que não é possível apostar com certeza nesse cenário. “As fontes sempre fazem um adendo quando falam de Donald Trump. Esse adendo se chama imprevisibilidade”, afirmou.

Segundo ela, Trump pode igualmente optar pelo “tudo ou nada”, o que torna qualquer projeção incerta. A analista também destacou a influência ideológica exercida por figuras próximas a Donald Trump, como Marco Rubio, sobre as relações com países da América Latina.

Ao fim, a conclusão compartilhada por fontes do governo é que os Estados Unidos são um parceiro comercial de grande importância para o Brasil, e que o país observa as eleições americanas “com bastante interesse, mas também com bastante cautela”.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/brasil-espera-mudar-relacao-com-eua-apos-eleicoes-americanas/