Brasil deve entregar à UE documentos sobre antimicrobianos até segunda
Carne bovina é a que enfrenta maior risco de não ter habilitação revertida; expectativa é de que restrição se estenda até 2027
O governo brasileiro trabalha para reunir e enviar à UE (União Europeia) até a próxima segunda-feira (25) as informações exigidas pelo bloco para comprovar o controle do uso de antimicrobianos na produção animal brasileira. É o que dizem fontes envolvidas na negociação.
A corrida contra o prazo ocorre após a UE publicar, no meio do mês, uma atualização da lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal ao bloco — da qual o Brasil foi retirado. Ficaram bloqueados portanto bois, cavalos, ovos, peixes, mel e aves.
O argumento europeu é que o país não apresentou garantias suficientes sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida passa a valer em 3 de setembro, mas o Brasil pode voltar à lista caso apresente a documentação exigida.
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Publicado em 2026-05-21 17:51:06No dia seguinte ao anúncio, o governo brasileiro teve reuniões com os europeus e ficou acertado que o envio das informações seria feito entre 10 a 15 dias. O prazo mais estendido termina no dia 28 de maio.
Nesse meio tempo, o governo brasileiro também publicou novas diretrizes para o uso dos insumos na pecuária a fim de evitar futuros bloqueios.
A reversão, porém, não deve ser rápida para todos os produtos. Segundo as mesmas fontes, a carne bovina é a categoria que enfrenta maior risco de não ter a habilitação revertida no curto prazo — e a expectativa é de que a restrição se estenda até 2027.
O imbróglio com a UE ocorre em momento delicado: o acordo de livre comércio entre o bloco e o Mercosul entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio, mas ainda enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, especialmente na França. Para analistas e integrantes do setor, a decisão tem caráter político e serve como sinalização interna do bloco aos seus produtores rurais.
Ao mesmo tempo, uma notícia positiva para o agro brasileiro veio de outro front.
No contexto da União Europeia, que continua com o embargo até que o Brasil comprove a não aplicação de antimicrobianos, a habilitação dos três frigoríficos chineses no início da semana é, ainda que indiretamente, uma notícia positiva que serve como respaldo para certificar a qualidade fitossanitária do produto brasileiro. É o que avalia a Sócia da Vallya Participações e Diretora Executiva da Vallya Agro, Larissa Walcholz.
Em um momento em que o mundo vive uma transição de regulações veterinárias e fitossanitárias para exportações, cobranças rigorosas vindas de blocos dependentes do Brasil, como é o caso da UE, não são surpresas. A China também possui salvaguardas e qualquer habilitação é um sinal verde do comércio.
"Diante disso, faz sentido a China flexibilizar a entrada de produto brasileiro e deve ser uma discussão ao longo desse ano. A relação do Brasil com a China nesse setor é de estabilidade e sobretudo nesse momento que a gente se vê no problema com a União Europeia", afirmou a especialista.
O rebanho global vem recuando no mundo e analistas acreditam que o Brasil é um fornecedor flexível e capaz de adaptação rápida a medidas regulatórias mais severas.