Jogador do Haiti desmoronado em jogo contra a Escócia: tadinhos. (Foto: EFE/EPA/GREG M. COOPER)

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Outro dia, no “Saideira”, meus amigos Francisco Escorsim e Omar Godoy falaram do clássico “A Pátria de Chuteiras”. Fui na estante. Peguei o livro. Li uma ou outra crônica. Quanto exagero! A verdade é que jamais entendi a paixão de Nelson Rodrigues pelo futebol. Essa coisa de transformar qualquer pelada em drama shakespeariano. Nem a dele nem a de qualquer outra pessoa adulta. Jamais entendi como alguém é capaz de matar e morrer por um time. Ou pela Seleção. De ficar feliz. De sofrer, que seja. Logo eu, que de fleumático não tenho nada.

Claro que, tanto no futebol quanto na vida, perder é ruim, ganhar é bom e empatar é qualquer outra coisa. Além disso, tenho meu quinhão de memórias associadas ao futebol. Tanto no estádio quanto pela televisão. Um gol do Coxa contra o Guarani, acho que no final dos anos 1980. Na minha lembrança foi tudo em câmera lenta. Um Atletiba com o Couto Pereira lotadaço. A arquibancada tremia. Aquele jogo da Mary Fogueteira. A final da Copa de 1994. E até jogos de outros times, como as Libertadores que o São Paulo ganhou na década de 1990 e a “Batalha dos Aflitos”, que por algum acaso eu estava vendo pela TV.

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Sem humilhar muito, por favor

Mas não entendo como um gol, por mais bonito que seja, ou um passe, um drible, uma falta, um impedimento marcado ou não marcado, um pênalti, um recuo para o goleiro e até uma cobrança de lateral podem ser considerados épicos. Como uma vitória ou derrota ou empate podem ser considerados momentos decisivos na vida de uma pessoa. Daqueles destinados a estarem para sempre gravados na retina de marmanjos, marmanjas e marmanjes. Respeito. Vejo a empolgação ou a decepção com uma curiosidade sincera. Quase com admiração. Mas não entendo.

Tudo isso para dizer que hoje tem jogo do Brasil contra o Haiti na Copa do Mundo. Espero que o Brasil ganhe, claro. Não sou espírito-de-porco. Mas que a vitória seja de um a zero, no máximo. Tá bom, dois a zero e não se fala mais nisso. É que... sei lá. Me dá pena golear o Haiti. Não a ponto de sugerir que o Haiti possa ganhar do Brasil. Longe disso. Ainda assim, pena. Se formos campeões (hahaha), não quero a mácula de uma goleada contra os paupérrimos caribenhos no documentário sobre a saga do hexa. De qualquer forma, bora ganhar do Haiti, Brasil! De um ou dois a zero. Sem humilhar muito, por favor.

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