O investidor estrangeiro “não tem medo de Lula”, notou, em conversas com clientes, David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do BofA (Bank of America).
O economista observa que os fluxos de capital não têm favorecido o Brasil, mas que isso se dá mais por fatores internacionais – expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, alocações em inteligência artificial e arrefecimento da tensão no Oriente Médio, que reduziu os preços do petróleo além do esperado – do que domésticos.
As análises foram repassadas nesta sexta-feira (3), em São Paulo, durante encontro com jornalistas.
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Publicado em 2026-07-03 15:06:04Questionado sobre incertezas em torno das eleições de outubro, Beker ressaltou que o investidor estrangeiro não teme uma reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por já conhecer o candidato.
Ainda assim, reconheceu que o mercado está agindo em cima do noticiário ligado ao pleito. Contudo, o ruído torna difícil a formação de posições mais estruturais, de modo que os investidores que operam nesse sentido focam mais em negócios de curto prazo.
Falta de gatilhos
O BofA trabalhava com a hipótese de que o Ibovespa atingiria 210 mil neste ano, em meio ao rali que levou a bolsa ao recorde histórico de 195 mil pontos em abril.
Desde então, porém, o índice passou a cair, fechando o primeiro semestre na casa dos 172 mil pontos, com uma sequência de meses negativos.
O ímpeto diminuiu e houve uma “redução de estrangeiros em todos os ativos”, segundo Beker, que ressalta que o capital internacional era o principal motor da bolsa.
Para ele, o cenário externo macroeconômico incerto é o principal culpado pela mudança de rumo do investidor estrangeiro.
E negativamente para a bolsa, cita que não há expectativas de grandes gatilhos para que o mercado brasileiro retome o rali visto anteriormente.
Nesse momento, nota como, sobretudo, a indústria de fundos local tem sofrido com resgates de investidores. Para Beker, a única coisa que poderia gerar uma virada no cenário seria uma queda de juros maior que o esperado.