BNDES tem conversas avançadas e quer ser sócio de mineradoras
Banco público avalia entrar no capital de empresas com projetos de minerais críticos no Brasil, em movimento que busca reduzir a dependência externa no setor
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tem conversado com mineradoras que desenvolvem projetos de minerais críticos no Brasil e avalia entrar como sócio em algumas dessas empresas.
A informação foi dada José Luis Pinho Leite Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, no seminário internacional de minerais críticos e estratégicos, organizado pela Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração)
Segundo ele, as operações poderiam ocorrer por meio da BNDESPar, braço de participações do banco público.
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Publicado em 2026-06-09 13:18:09“Quando nós abrimos o edital com essas empresas, temos a possibilidade de o BNDES e a BNDESPar investirem diretamente como sócios de alguma dessas empresas”, disse Gordon.
O movimento faz parte da estratégia do banco para ampliar o apoio à cadeia de minerais críticos no país, segmento considerado essencial para a transição energética, a indústria de defesa, a produção de baterias, ímãs permanentes, veículos elétricos e tecnologias de baixo carbono.
Além da possibilidade de participação direta em empresas, o BNDES também atua na estruturação de um fundo bilionário voltado ao setor mineral, em parceria com a Vale. A ideia é financiar projetos ligados a minerais críticos, como níquel, lítio, cobre, grafite, nióbio e terras raras.
Em entrevista à CNN, o CFO da Brazilian Nickel, André Simão, afirmou que a mineradora está em conversas com o banco público e defendeu a participação do governo brasileiro como acionista em projetos de níquel no país.
A entrada do BNDES como sócio de mineradoras ocorre em um contexto de corrida global por minerais críticos.
O setor exige investimentos bilionários, tem longo prazo de maturação e depende de grande volume de capital antes mesmo da entrada em operação comercial dos projetos.
Em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, China e membros da União Europeia, bancos públicos, agências de crédito à exportação e fundos soberanos têm ampliado o apoio financeiro a projetos considerados estratégicos para suas cadeias industriais.
No caso brasileiro, a discussão é considerada ainda mais sensível porque parte relevante dos projetos em desenvolvimento no país busca contratos de fornecimento de longo prazo, os chamados offtakes, com empresas ou governos estrangeiros.
Esses acordos podem ser importantes para viabilizar financiamento e garantir demanda futura para os projetos. Ao mesmo tempo, integrantes do governo e do setor privado avaliam que o Brasil precisa evitar repetir o padrão histórico de apenas exportar matéria-prima, sem desenvolver etapas industriais de maior valor agregado no país.
A avaliação dentro do BNDES é que a participação direta em empresas pode ajudar o Brasil a ter maior influência sobre projetos estratégicos, estimular a industrialização local e atrair capital privado para uma cadeia ainda pouco desenvolvida no país.
O tema ganhou força nos últimos meses em meio à elaboração de políticas públicas para minerais críticos e ao avanço de projetos privados de níquel, lítio, terras raras, grafite e nióbio em diferentes estados brasileiros.
A estratégia também dialoga com a tentativa do governo de posicionar o Brasil como fornecedor relevante de insumos essenciais para a transição energética global, mas com maior participação nas etapas de processamento, refino e fabricação de componentes industriais.