A desarticulação de um ponto de venda de drogas pela Polícia Civil na região da avenida Brigadeiro Faria Lima, nesta terça-feira (16), reforçou a consolidação do termo “biqueira” em contextos urbanos.

A ação, denominada Operação Gladiador, identificou a comercialização de entorpecentes em um condomínio residencial em uma das áreas mais valorizadas da capital paulista, resultando na prisão de dois suspeitos.

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A evolução do neologismo semântico

O uso da palavra para designar locais de tráfico é o que a linguística chama de neologismo semântico. Ela é a atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente.

Um estudo produzido pela Universidade de São Paulo, concluiu que originalmente, registros do século XIV associam o termo “Biqueira” com a ponta de sapatos ou extremidades de objetos.

A transição para o vocabulário do crime ocorreu na década de 1990, com raízes nas periferias de São Paulo. O termo foi disseminado inicialmente pela cultura do Rap e Hip Hop, como em letras da banda Facção Central de 1999, e gradualmente migrou para o público geral com a expansão da internet.

Pesquisas indicam que 59% das ocorrências do termo no português brasileiro referem-se ao comércio de entorpecentes.

Do crime à literatura

Segundo o relatório do 15º Distrito Policial (Itaim Bibi), o monitoramento do local na Faria Lima incluiu imagens aéreas que comprovaram a movimentação de usuários.

O uso de “biqueira” em boletins oficiais e na mídia jornalística para descrever ocorrências em centros financeiros, demonstra como o vocabulário das comunidades atravessou barreiras geográficas.

Essa trajetória revela uma língua dinâmica, onde o significado base, o “bico”, permanece em uso enquanto novas acepções atendem às necessidades socioculturais contemporâneas.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/biqueira-na-faria-lima-veja-como-neologismo-dominou-lingua-portuguesa/