Baranov pede “maturidade” para discutir “vocação” de cada mineral crítico

Presidente do Simineral-PA defendeu análise caso a caso para definir quais minerais devem ser exportados e quais podem ter agregação de valor no Brasil

Gabriel Garcia,

O presidente do Simineral-PA (Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará), Anderson Baranov, afirmou nesta terça-feira (30) que o Brasil precisa aproveitar o boom dos minerais críticos para amadurecer o debate sobre o papel do país nas cadeias globais de mineração.

A declaração foi feita durante o CNN Talks: Nova Era da Mineração, em meio à discussão sobre a política nacional de minerais críticos e estratégicos, aprovada pela Câmara dos Deputados e ainda em análise no Senado.

Baranov, que passou décadas na Hydro antes de assumir a presidência do Simineral, defendeu que a discussão não seja feita de forma genérica.

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Para ele, o país precisa avaliar mineral por mineral, levando em conta vocação produtiva, mercado, capacidade industrial, competitividade, demanda interna e possibilidade real de agregação de valor.

“Temos maturidade para viver o que estamos vivendo hoje como sociedade? Sabemos o que queremos? Por que não discutimos uma coisa maior: o que queremos? Quais minerais têm vocação apenas para exportação? Quais vamos agregar valor?”.

Segundo Baranov, a discussão sobre soberania mineral não deve ser politizada a ponto de ignorar as diferenças entre cadeias produtivas. A avaliação é que nem todo mineral crítico tem o mesmo potencial de industrialização no Brasil, assim como nem todo projeto deve seguir o mesmo modelo regulatório ou comercial.

O ponto defendido por ele é que o país precisa separar minerais com vocação para exportação daqueles em que há espaço para processamento, refino, transformação industrial ou produção de componentes de maior valor agregado em território nacional.

A fala ocorre em meio a pressões para que o Brasil amplie sua presença nas etapas mais nobres da cadeia mineral.

O país tem reservas relevantes de diferentes minerais usados em baterias, energia renovável, fertilizantes, defesa, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia, mas ainda participa pouco de fases como beneficiamento avançado, separação, refino e fabricação de componentes.

No Congresso, o debate ganhou força com o projeto que cria a política nacional de minerais críticos e estratégicos. O texto aprovado pela Câmara prevê instrumentos de incentivo, financiamento, rastreabilidade, agregação de valor e coordenação governamental para projetos considerados prioritários.

Ao mesmo tempo, representantes do setor privado defendem que a política pública tenha critérios objetivos e evite soluções únicas para cadeias muito diferentes entre si. A preocupação é que regras amplas demais acabem criando entraves para projetos que já são economicamente viáveis ou que não tenham vocação industrial no Brasil.

Para Baranov, o Brasil precisa usar o momento atual para construir uma estratégia mineral de longo prazo. Isso significa definir onde o país quer apenas ser fornecedor competitivo de matéria-prima e onde pode disputar etapas mais sofisticadas da cadeia global.

A discussão ocorre em um cenário de disputa entre grandes potências por acesso a minerais críticos. Estados Unidos, União Europeia, China e outros blocos buscam garantir suprimento de insumos essenciais para transição energética, indústria de defesa e tecnologias avançadas.

O CNN Talks: Nova Era da Mineração reúne autoridades, empresários, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os caminhos da mineração brasileira em uma nova fase de disputa global por minerais críticos, transição energética e segurança das cadeias de suprimento.

O encontro ocorre em um momento em que o Brasil tenta transformar sua vantagem geológica em protagonismo econômico, industrial e diplomático, com debates sobre financiamento, licenciamento ambiental, inovação, sustentabilidade, rastreabilidade, agregação de valor e maior participação do país nas etapas mais nobres da cadeia mineral.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/baranov-pede-maturidade-para-discutir-vocacao-de-cada-mineral-critico/