Ativistas libertados da custódia israelense após serem detidos em uma flotilha que tentava levar ajuda humanitária a Gaza foram submetidos a abusos, disseram organizadores na sexta-feira (22). Vários foram hospitalizados com ferimentos e pelo menos 15 relataram agressões sexuais, incluindo estupro.

O serviço penitenciário de Israel não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários sobre as acusações na sexta-feira, feriado em Israel. Os militares israelenses encaminharam as perguntas ao Ministério das Relações Exteriores, que as encaminhou ao serviço penitenciário.

Na quinta-feira (21), o serviço penitenciário declarou que “todos os presos e detidos são mantidos de acordo com a lei, com pleno respeito aos seus direitos fundamentais e sob a supervisão de funcionários penitenciários profissionais e treinados”.

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“O atendimento médico é prestado de acordo com o julgamento médico profissional e em conformidade com as diretrizes do Ministério da Saúde”, acrescentou.

As forças israelenses prenderam 430 pessoas a bordo de 50 navios em águas internacionais na terça-feira (19) para impedir uma flotilha de voluntários que tentava levar suprimentos de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

As alegações de abuso aumentarão a pressão sobre as autoridades israelenses para explicarem o tratamento dado aos detidos, após a divulgação de um vídeo de um ministro israelense em uma prisão zombando de alguns dos ativistas, que estavam amarrados e de joelhos. As imagens geraram indignação internacional.

A Itália afirmou que os membros da UE (União Europeia) estavam discutindo a imposição de sanções ao ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir.

“Pelo menos 15 casos de agressão sexual, incluindo estupro. Alvejados com balas de borracha à queima-roupa”. “Dezenas de pessoas com ossos quebrados”, publicaram os organizadores da Flotilha Global Sumud no aplicativo de mídia social Telegram.

“Enquanto o mundo inteiro está de olho no sofrimento de nossos participantes, não podemos deixar de enfatizar que isso é apenas um vislumbre da brutalidade que Israel impõe diariamente aos reféns palestinos”, acrescentou.

“Despidos, jogados no chão, chutados”

“Fomos despidos, jogados no chão e chutados.” Muitos de nós fomos atingidos por armas de choque, alguns sofreram agressão sexual e outros tiveram o acesso a um advogado negado”, afirmou Luca Poggi, economista italiano que estava entre os detidos a bordo da flotilha, à Reuters.

Sabrina Charik, que ajudou a organizar o retorno de 37 cidadãos franceses da flotilha, disse que cinco participantes franceses foram hospitalizados na Turquia, alguns com costelas quebradas ou vértebras fraturadas. Alguns fizeram acusações detalhadas de violência sexual, incluindo estupro, afirmou ela.

Em uma publicação no Instagram de um grupo ativista verificada pela Reuters, o francês Adrien Jouen mostrou hematomas nas costas e nos antebraços.

Ativistas disseram que alguns dos supostos abusos ocorreram no mar, após a interceptação pela Marinha israelense, e outros após a prisão e detenção em Israel.

Ativistas de vários países europeus deveriam chegar em casa em voos da Turquia, após terem sido deportados de Israel na quinta-feira.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse a repórteres que 44 membros espanhóis da flotilha deveriam chegar ao longo da sexta-feira em voos de Istambul para Madri e Barcelona. Quatro deles receberam tratamento médico para os ferimentos, acrescentou.

Governos ocidentais expressaram sua indignação na quinta-feira após Ben-Gvir publicar um vídeo em que zombava de ativistas amarrados no chão em uma prisão.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou à margem da reunião da OTAN na Suécia que estava em contato com todos os seus homólogos da UE “para que haja uma decisão rápida sobre a imposição de sanções” a Ben-Gvir.

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, propôs no ano passado a imposição de sanções a Ben-Gvir e a outro ministro israelense, mas a proposta não obteve o apoio necessário de todos os 27 países membros da UE na época.

“As sanções da UE são discutidas e adotadas pelos 27 Estados-membros da UE, e isso ocorre por unanimidade”, disse o porta-voz da diplomacia da UE, Anouar El Anouni, na coletiva de imprensa diária da Comissão Europeia na sexta-feira, acrescentando que não poderia comentar discussões confidenciais sobre sanções.

Itamaraty condena atitude

O Itamaraty convocou a chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, para solicitar esclarecimentos sobre o vídeo divulgado.

Em nota, o ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou a atitude das autoridades israelenses, classificando-a como “degradante e humilhante”.

O Itamaraty também afirmou que a interceptação de embarcações integrantes da flotilha em águas internacionais é ilegal, e solicitou a libertação imediata dos ativistas, incluindo quatro cidadãos brasileiros que estão entre os detidos.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ativistas-libertados-de-flotilha-denunciam-abusos-israelenses-e-estupro/