Uma nova tecnologia revelou que a presença de armas nucleares no espaço pode ser detectada por satélites de pequeno porte. A descoberta pode permitir a verificação do cumprimento do Tratado do Espaço Exterior, que proíbe o armazenamento de bombas atômicas e de outras armas de destruição em massa em qualquer lugar na órbita da Terra.

O acordo foi negociado durante a Guerra Fria, quando apenas a União Soviética e os Estados Unidos possuíam capacidade para explorar o espaço. Até então, porém, não existiam métodos capazes de fiscalizar o cumprimento dessa proibição.

Segundo o pesquisador Areg Danagoulian, autor do método apresentado no estudo, as simulações indicam que satélites que transportam armas nucleares emitiriam um sinal característico de nêutrons. Isso ocorreria devido à interação entre os componentes de urânio da arma e os prótons aprisionados no campo magnético da Terra.

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Os cálculos apresentados na pesquisa sugerem que um pequeno satélite equipado com componentes disponíveis comercialmente seria capaz de detectar esses sinais.

Ainda de acordo com Danagoulian, em um cenário hipotético envolvendo um satélite com uma arma nuclear em órbita terrestre baixa, o pequeno satélite poderia identificar uma arma termonuclear a uma distância de até 4 quilômetros após cerca de uma semana de observações.

Para confirmar os resultados, no entanto, ainda será necessário testar a viabilidade da abordagem na prática. O estudo foi publicado pela revista Nature e pode ser acessado neste link.

Teste nuclear da Marinha dos EUA, Atol de Bikini, Ilhas Marshall • FPG/Getty Images

O Tratado do Espaço Sideral de 1967

O espaço sideral não é um vácuo sem lei. As atividades no espaço são regidas pelo Tratado do Espaço Sideral, de 1967, que é atualmente ratificado por 111 nações. O acordo foi negociado à sombra da Guerra Fria, quando apenas duas nações — União Soviética e Estados Unidos — tinham os meios de explorar o espaço.

Embora o Tratado do Espaço Sideral ofereça princípios amplos para guiar as atividades das nações, ele não oferece regras mais detalhadas. Essencialmente, o acordo assegura liberdade de exploração e de uso do espaço a toda a humanidade. Há apenas duas ressalvas a isso, o que fez surgirem múltiplas lacunas.

A primeira ressalva estabelece que a Lua e outros corpos celestiais devem ser utilizados exclusivamente para propósitos pacíficos. O restante do espaço é omitido dessa proibição geral. A única orientação a respeito disso é encontrada na introdução do tratado, que reconhece um “interesse comum” no “progresso da exploração e uso do espaço para propósitos pacíficos”.

A segunda ressalva diz que aqueles que estiverem conduzindo atividades no espaço devem fazê-lo com “devida consideração aos interesses correspondentes de todos os outros Estados membros do Tratado”.

As luzes da Europa à noite, observadas do espaço • Divulgação/Nasa

Um grande problema surge do fato de que o acordo não oferece definições claras nem para “propósitos pacíficos”, nem para “devida consideração”.

Embora o tratado proíba especificamente armazenar armas nucleares ou armas de destruição em massa em qualquer lugar do espaço, ele não proíbe o uso de armas convencionais no espaço ou o uso de armas baseadas na Terra contra recursos espaciais. Não é claro se algumas armas (como o míssil hipersônico com capacidade nuclear da China) devem ser enquadradas na proibição do tratado.

As vagas limitações militares embutidas no tratado deixam espaço para interpretação suficiente para resultar em conflito.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/armas-nucleares-no-espaco-poderao-ser-detectadas-por-satelites/