O secretário da Força Aérea dos Estados Unidos confirmou, nesta segunda-feira (14), que o país implantou armas no espaço para defender as forças americanas. Embora o Pentágono não tenha divulgado as especificações das armas criadas, as armas de contraespaço (ASAT) já conhecidas podem esclarecer o funcionamento desse tipo de tecnologia.
De acordo com análises do CSIS (Center for Strategic and International Studies), existem quatro categorias de ASATs já utilizadas: as armas físicas cinéticas, físicas não cinéticas, eletrônicas e cibernéticas.
Armas Físicas Cinéticas
Os ataques físicos cinéticos são os mais conhecidos e visualmente impactantes, já que buscam destruir fisicamente o satélite ou a infraestrutura de suporte. Confira os tipos de armas abaixo:
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Publicado em 2026-09-15 13:35:12- ASAT de Ascensão Direta (Direct-Ascent): Mísseis de médio ou longo alcance disparados da Terra (a partir de bases terrestres, navios ou caças) em direção à órbita. A destruição depende da energia cinética do impacto a velocidades orbitais (aproximadamente 28.000 km/h), não de explosivos. Um dos problemas discutidos sobre este método é a criação indesejada de lixo orbital.
- ASAT Co-Orbital: Satélites interceptadores colocados previamente em órbita que manobram até se aproximarem do alvo. Podem atuar como “minas espaciais” que detonam estilhaços a curta distância ou utilizar braços robóticos para agarrar, desviar ou retirar o satélite adversário de órbita.
- Ataques a Estações Terrestres: Consiste no uso de armamento militar convencional (mísseis, artilharia ou sabotagem da rede elétrica e de dados) contra as antenas e centros de comando em solo que controlam os satélites.
Armas Físicas Não Cinéticas
Já neste tipo de ataque, o alvo é danificado fisicamente sem que haja contato mecânico direto entre projéteis, e podem ser realizados usando as seguintes armas:
- Lasers de Alta Potência: Disparados do solo ou de plataformas móveis, os lasers podem ser usados para cegar permanentemente a óptica de satélites espiões ou ofuscar temporariamente seus sensores. Em frequências mais altas, o calor gerado pelo laser pode derreter painéis solares e estruturas térmicas.
- Micro-ondas de Alta Potência (HPM): Emitem pulsos de radiofrequência para penetrar pelas antenas ou frestas do satélite, fritando os circuitos eletrônicos internos e deixando a espaçonave inoperante e à deriva.
- Pulso Eletromagnético Nuclear (EMP): A detonação de uma ogiva nuclear em alta altitude, liberando uma onda massiva de radiação e elétrons que queima instantaneamente a eletrônica de satélites em um grande raio espacial.
Ataques eletrônicos
Os ataques eletrônicos, em vez de destruir o hardware do satélite, buscam neutralizar a transmissão e o recebimento de dados por meio de frequências de rádio, sendo temporários e reversíveis.
- Jamming (Interferência de Sinal): Ocorre quando um transmissor emite ruído na mesma frequência operada pelo satélite, o que acaba “ensurdecendo” o receptor. Pode ser por sinal enviado da Terra para o espaço (uplink), impedindo a espaçonave de receber comandos, ou no sinal enviado do espaço para os usuários na Terra (downlink), bloqueando redes de navegação como o GPS.
- Spoofing (Falsificação de Sinal): O atacante imita um sinal autêntico de radiofrequência para enganar os receptores. Pode ser usado para injetar dados falsos nos sistemas de localização terrestres ou, em cenários críticos, para enviar comandos falsos e assumir o controle do satélite.
Ataques cibernéticos
Estes ataques podem ser usados para interceptar e corromper dados ou assumir o controle de sistemas. Ao contrário dos ataques eletrônicos, que interferem na transmissão de dados via sinais de radiofrequência, os ataques cibernéticos têm como alvo os próprios dados e os sistemas.
Podem ser realizados das maneiras a seguir:
- Interceptação e Monitoramento: Infiltração em canais não criptografados para espionar o fluxo de dados e imagens transmitidos por satélites em tempo real.
- Corrupção de Dados: Alteração silenciosa das informações processadas pelo satélite para induzir os operadores ou sistemas automatizados ao erro.
- Apropriação de Controle: Invasão hacker dos sistemas de comando e controle (C2) para assumir a operação da espaçonave. Se o invasor disparar propulsores para colidir ou queimar o satélite na atmosfera, o dano torna-se irreversível.
O anúncio dos EUA
A fala do secretário foi o primeiro reconhecimento público de capacidades militares em órbita e um sinal deliberado àqueles que representam potenciais ameaças no domínio.
“Hoje continuamos a garantir que permanecemos prontos para enfrentar os desafios das ameaças em evolução onde quer que existam”, disse Meink na Air, Space and Cyber Conference, um encontro anual organizado pela Air & Space Forces Association em National Harbor, Maryland. “É por isso que os Estados Unidos agora possuem armas de controle espacial em órbita, capazes de defender a força conjunta contra ações hostis de adversários.”
Meink não forneceu detalhes sobre as armas e, quando solicitado a se aprofundar, recusou-se a fornecer informações adicionais. Não se sabe quando as armas foram colocadas em órbita.
O presidente Donald Trump tem exaltado a US Space Force, que ele criou em 2019 como parte da Força Aérea, como um passo histórico para fortalecer as capacidades de defesa dos EUA em meio a uma corrida armamentista em avanço, na qual China e Rússia têm desafiado a dominância americana no espaço.
Conforme a CNN noticiou em 2024, informações de inteligência dos EUA sugerem que a Rússia também envidou esforços para desenvolver uma arma nuclear baseada no espaço que utilizaria uma onda de energia massiva, conhecida como pulso eletromagnético, para potencialmente neutralizar uma grande parcela de satélites comerciais e governamentais — alegação que Moscou negou.
Tal arma poderia ter impactos amplos e devastadores — por exemplo, comprometendo os satélites dos quais o mundo depende para prever o tempo e responder a desastres, ou até mesmo potencialmente afetando sistemas de navegação global usados para tudo, desde operações bancárias e transporte de cargas até o acionamento de aplicativos de transporte e o despacho de ambulâncias.
*Com informações de Hanna Park, da CNN