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Depois de aprovada a redução (na marra) da escala 6x1, o tema da vez é outra redução, desta vez da maioridade penal. Sobre esse assunto, reconheço que tenho uma opinião superficial, com base no achismo, no senso comum e em certo cansaço. Até por isso pergunto ao editorialista se a Gazeta do Povo teria uma opinião mais embasada. Quero aprender, ué! Ele me manda um editorial de 2014, quando o assunto por algum motivo estava em voga, e que defende a redução da maioridade penal para 16 anos.
A “base de cálculo” é a lógica. Afinal, se aos 16 anos a pessoa já pode votar e, assim, decidir os rumos do país, nada mais justo que aos 16 anos ela também possa responder por seus atos. Me parece uma postura razoável e que não se submete ao clamor popular nem à questionável ideia de que a redução da maioridade penal levará, necessariamente, a uma redução da criminalidade. Aliás, não entendo como as pessoas continuam a acreditar nesse tipo de promessa. Mas... c’est la vie, como dizem os búlgaros.
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Publicado em 2026-06-03 11:44:43Certezas
Aí me dei conta de uma coisa. Um detalhe que muda completamente o eixo do texto: o editorial da Gazeta do Povo sobre a redução da maioridade penal é de 2014. Uau! Doze anos atrás. Caramba. Não sei você, mas eu era uma pessoa tão diferente há 12 anos. Tanto que, se encontrasse meu eu de 12 anos atrás na rua, nem o reconheceria. Minto. Na verdade, talvez eu o esbofeteasse. Ou melhor, talvez ele me esbofeteasse e me xingasse de esquerdista, de carola e principalmente de traidor do libertarianismo ou algo assim. Ao que eu responderia dizendo que, cara, baixa a bola, sei que você está enfrentando um momento difícil, mas vai passar.
Doze (ou douze, como dizer os cariocas) anos mais tarde, sou bem diferente do Paulo de 2014. Que, sobre a redução da maioridade penal, provavelmente era a favor de algo até mais exagerado. Hoje prefiro me ater à lógica do editorial antigo da Gazeta. Porque, ao meu redor, tudo parece diferente. Uma luz nova banha a realidade. Afinal, nesses anos passei por uma mudança de vida radical [FAZ HANG LOOSE]. Uma conversão que me salvou de mim mesmo, daquele cara (mais) chato e cheio de ideias fixas, teimosas e sobretudo orgulhosas. Cheio de certezas mundanas. E vazio do que realmente importa.