Uma vacina desenvolvida no Brasil no combate à malária recebeu autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para começar os testes clínicos em humanos. A medida foi publicada na última quinta-feira (7) no DOU (Diário Oficial da União).
Trata-se da Vivaxin, imunizante que pretende combater a infecção causada pelo parasita plasmodium vivax, um dos principais causadores da malária no Brasil.
Os ensaios clínicos serão realizados em 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, em Minas Gerais. A vacina foi desenvolvida pelo CTVacinas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em parceria com a USP (Universidade de São Paulo) e o laboratório Cristália.
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Publicado em 2026-10-08 18:30:00Atualmente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda dois imunizantes contra a doença, são eles: a RTS,S/AS01 e a R21/Matrix-M, que protegem contra outra espécie do parasita, o P. falciparum.
Se aprovado depois das próximas fases, Vivax revolucionará o mercado como o primeiro imunizante a combater o P.Vivax.
Início dos testes clínicos
O protocolo prevê 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, que nunca tiveram malária.
Serão testadas três dosagens, e os participantes receberão a Vivaxin ou um placebo. Cada pessoa tomará três doses, com intervalo de 28 dias entre elas.
O acompanhamento durará 360 dias, com avaliações clínicas e monitoramento. O estudo será realizado no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
Essa é a chamada fase 1, a primeira etapa de testes em humanos. Os objetivos são avaliar:
- a segurança da vacina;
- as reações à aplicação;
- a capacidade de estimular uma resposta imunológica no organismo.
Esses resultados vão orientar as próximas etapas, que serão necessárias para saber se a vacina de fato protege contra a doença.
Para o pesquisador Ricardo Gazzinelli, caso a segurança e eficácia da vacina sejam comprovadas, isso poderá ser visto como uma ferramenta de estratégia de controle do mosquito.
Essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território e, com isso, também contribuir com a eliminação da malária na América Latina.
Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas
Malária no Brasil
A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles. Os sintomas mais comuns são febre, calafrios e dor de cabeça.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024 foram estimados 282 milhões de casos de malária e 610 mil óbitos em 80 países.
No Brasil, a região amazônica concentra mais de 99% dos casos autóctones de malária. Integram essa área os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.