Antidumping garante competitividade à pecuária leiteira, diz executivo
Produtores de leite brasileiros manifestam insatisfação após decisão sobre importações da Argentina e Uruguai, que já foram alvo de investigação
A decisão do governo federal de não aplicar medidas antidumping sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai gerou insatisfação entre produtores brasileiros.
A avaliação é de Alexandre Lacerda, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, que participou nesta segunda-feira (1º) do evento Eloos, em Belo Horizonte.
O tema é discutido pelo setor desde dezembro de 2024, quando entidades ligadas à cadeia leiteira solicitaram ao governo federal a abertura de uma investigação para apurar possíveis práticas de dumping nas exportações de leite da Argentina e do Uruguai para o mercado brasileiro.
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Publicado em 2026-06-01 17:27:35O mecanismo ocorre quando um produto é vendido em outro país a preços inferiores aos praticados no mercado de origem ou abaixo de seu valor considerado justo, afetando a competitividade dos produtores locais.
Segundo Lacerda, a investigação confirmou a existência da prática, mas a decisão final da Camex (Câmara de Comércio Exterior) frustrou as expectativas dos produtores ao não estabelecer tarifas compensatórias.
“Os produtores estão indignados, pois gostaríamos do reconhecimento do dumping das importações de leite da Argentina e Uruguai. Foi um longo processo que passamos desde dezembro de 2024”, afirmou.
De acordo com o dirigente, o resultado técnico da investigação apontou margens expressivas de dumping nas exportações destinadas ao Brasil.
Apesar da conclusão, a Camex optou por não aplicar medidas antidumping. Na avaliação de Lacerda, a decisão levou em consideração preocupações relacionadas aos impactos inflacionários e às relações comerciais com os países vizinhos.
“Não esperávamos a decisão da Camex, que não colocou medidas antidumping com receio de causar inflação ou um certo mal-estar com os parceiros comerciais. Não queremos nenhuma vantagem, apenas gostaríamos de competir em pé de igualdade com qualquer um”, afirmou.
O presidente da associação destacou ainda a relevância da produção leiteira mineira para o abastecimento nacional. Minas Gerais é o maior produtor de leite do país e responde por mais de 40% da produção brasileira, segundo o dirigente.
“Temos boa qualidade, com bons produtores que produzem mais de 40% do leite nacional apenas em Minas Gerais. A raça Girolando produz 80% desse total e temos orgulho disso”, declarou.
Mesmo diante dos desafios relacionados às importações e aos custos de produção, Lacerda afirma que o setor tem buscado ganhos de eficiência por meio da adoção de tecnologias e inovação nas propriedades rurais.
“Os custos de produção sofrem com vários fatores. Nós, produtores, conseguimos trabalhar com eficiência e tecnologia, investimos em inovação que atenda aos produtores”, afirmou.
"Variáveis que dependem do câmbio, por exemplo, trazem dificuldades, mas a nossa produtividade, que quase dobrou nos últimos anos, é o diferencial que temos a oferecer", acrescentou.
A discussão sobre competitividade e comércio internacional foi um dos temas debatidos durante o Eloos, projeto fruto da parceria entre CNN Brasil e Itatiaia, criado para reunir representantes do setor privado, autoridades públicas e especialistas em torno de temas estratégicos para o desenvolvimento econômico.
Em ciclos anteriores, o evento promoveu debates sobre energia, infraestrutura e competitividade da economia brasileira.