Análise: Trump pode usar relação com Xi para pressionar Putin
Analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, durante o CNN 360º, avaliou que aproximação entre EUA e China pode fornecer novas ferramentas para avançar no cessar-fogo do conflito
A cúpula de três dias entre o presidente americano, Donald Trump, e o mandatário chinês, Xi Jinping, encerrada com a partida do líder chinês da Base Conjunta Andrews rumo a Pequim, pode ter consequências diretas sobre o conflito na Ucrânia. Segundo a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, ao CNN 360º o encontro contou com uma agenda positiva e pode oferecer a Trump novas ferramentas para pressionar Vladimir Putin a avançar nas negociações de paz.
Segundo Magnotta, Trump chegou ao poder afirmando que resolveria a guerra da Ucrânia em 24 horas, promessa que fez parte de uma narrativa eleitoral e que não se concretizou.
"O presidente Trump chegou ao poder agora nesse governo alegando que resolveria a guerra da Ucrânia em 24 horas", afirmou a analista, acrescentando que Trump tem encontrado "grandes dificuldades de extrair compromissos concretos do lado de Putin", afirmou.
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Diante desse impasse, envolver Xi Jinping representaria, nas palavras de Magnotta, "um movimento diferente do que foi feito até o momento em relação à Ucrânia".
A analista destacou que negociadores internacionais que acompanham de perto os esforços diplomáticos costumam apontar a China como "provavelmente o único ator externo com grande capacidade de pressionar Moscou".
Para ela, essa pode ser "a cartada mais relevante que o presidente Trump deu até esse momento".
A analista explicou que a relação entre China e Rússia se aprofundou consideravelmente ao longo da guerra, com a formalização de uma parceria estratégica.
Pequim passou a oferecer a Moscou uma alternativa ao Ocidente, fornecendo acesso a mercados, comércio, canais financeiros e funcionando como uma verdadeira válvula econômica e diplomática diante do isolamento imposto pelos Estados Unidos. É justamente essa influência que torna a China um interlocutor estratégico no conflito.
Magnotta lembrou ainda que o envolvimento chinês nas negociações é um pedido antigo do lado ucraniano.
"Já há algum tempo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem pedido para o Trump para envolver o Xi", afirmou a analista. No entanto, resta saber se Xi Jinping estaria disposto a intervir e como Putin reagiria a essa eventual pressão.