Análise: Trump pode frear Israel taticamente, mas não em abrangência
Analista Fernanda Magnotta avalia, no CNN 360°, que poder de barganha dos EUA tem limites frente aos objetivos estruturais de Israel no Oriente Médio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (1°) ter conversado com o Hezbollah e com Israel, anunciando um recuo nos ataques no Líbano que travavam as negociações de um acordo para o fim do conflito. A declaração reacendeu o debate sobre até que ponto Washington consegue, de fato, conter as ações israelenses na região.
Para a analista Fernanda Magnotta, no CNN 360°, a resposta é complexa e envolve distinções importantes entre o curto e o longo prazo. "Trump consegue frear Israel taticamente, do ponto de vista de ações do curto prazo, de ações circunscritas, mas muito dificilmente ele consiga controlar objetivos estruturais mais abrangentes", avaliou a analista.
Magnotta explicou que os Estados Unidos dispõem de algumas ferramentas relevantes nesse processo de barganha, como a possibilidade de condicionar o apoio militar, oferecer cobertura diplomática ou estabelecer novas regras na coordenação operacional no Oriente Médio.
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Publicado em 2026-06-01 20:33:09Esses elementos, segundo ela, podem ser utilizados pelos americanos para exercer pressão sobre Israel. No entanto, quando isso ocorre, Israel costuma responder ajustando o timing e a intensidade das ações, sem necessariamente abandonar seus objetivos centrais.
A analista destacou ainda que isso não impede que Netanyahu aja mesmo sob pressão, caso perceba uma ameaça existencial ou uma oportunidade estratégica. "Isso já aconteceu outras vezes no passado e continua sendo uma realidade nesse período muito delicado do cessar-fogo", afirmou Magnotta.
Segundo ela, o principal instrumento disponível a Trump hoje é de natureza política, mais do que militar, mas ainda assim trata-se de um elemento de grande sensibilidade.
Eleições em Israel e o cálculo de Netanyahu
Um fator adicional que complica a equação é o cenário eleitoral israelense. Magnotta apontou que Israel se aproxima de uma eleição importante, em um contexto em que a popularidade de Netanyahu não é favorável.
Assim, o cálculo do líder israelense se dá entre manter o apoio político americano — de quem depende para executar seus planos — e preservar a narrativa interna construída para favorecer seus interesses eleitorais.
Por fim, a analista indicou que o principal incentivo adicional do lado americano para tentar conter os israelenses está relacionado ao Estreito de Ormuz. "É esse o ponto que faz com que Trump dobre a aposta com os israelenses e, muitas vezes, inclusive, contrarie interesses", disse Magnotta.
Na avaliação dela, os americanos tentam privilegiar seus próprios pontos de fragilidade mais do que a aliança em si, resultando em uma atuação que tende a ser mais tática do que estratégica, com efeitos limitados ao curto prazo.