Análise: Terrorismo e crime organizado não têm mesmo objetivo político

A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta a classificação dos EUA e alerta para danos colaterais ao setor financeiro e à soberania brasileira

A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo americano é um tema controverso que traz tanto potenciais benefícios quanto riscos significativos para o Brasil. A avaliação é da analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360°.

Para Magnotta, a decisão era esperada.

"Era uma questão de tempo, a gente já sabia que isso viria muito provavelmente", afirmou a analista, acrescentando que o Brasil não é o primeiro país a enfrentar esse tipo de designação, mas que o caso brasileiro é "bastante emblemático".

Recomendamos para você

Possíveis benefícios da designação

Entre os aspectos positivos, Magnotta apontou que a medida aumenta o custo internacional para as organizações criminosas.

A partir da nova classificação, os Estados Unidos passam a poder aplicar uma série de instrumentos jurídicos previstos pela legislação americana, como congelamento de ativos, imposição de sanções secundárias, perseguição a operadores financeiros e ampliação da cooperação internacional.

Magnotta também destacou que a medida deve ampliar o compartilhamento de informações de inteligência, com foco em aumentar a rastreabilidade de operadores do segmento financeiro mais sofisticado e na identificação de agentes internacionais.

"Essa pressão que se cria no campo político e econômico talvez beneficie o processo de tratar um fenômeno dessa natureza como um fenômeno transnacional", avaliou.

Riscos e controvérsias

Por outro lado, a analista ressaltou que a medida suscita um debate com potenciais danos colaterais.

O primeiro ponto levantado por Magnotta é conceitual: "Terrorismo e crime organizado não são a mesma coisa. Eles não têm a mesma natureza, eles não têm os mesmos objetivos nem fins políticos e ideológicos."

Segundo ela, essa generalização abre margem para a construção de narrativas e, em um contexto de polarização política crescente, "a instrumentalização disso pode se tornar um desafio no futuro".

Do ponto de vista prático, a analista alertou para a criação de grande insegurança para os agentes econômicos brasileiros.

A designação permite que os Estados Unidos implementem sanções e mecanismos econômicos por meio do poder do dólar e do controle do sistema financeiro internacional, o que pode aumentar de forma significativa o peso das medidas de compliance em bancos, fintechs e empresas de pagamentos e investimentos.

Impacto na cooperação bilateral

Outro ponto de preocupação levantado por Magnotta diz respeito à arquitetura de cooperação já existente entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.

Com a nova designação, o tema deixa de estar no escopo policial e passa a envolver o Departamento de Defesa e a CIA.

Ela alertou ainda que informações classificadas como secretas podem não ser compartilhadas com a contraparte brasileira, o que representa um risco adicional.

"No final das contas, todo mundo, em tese, quer combater o crime organizado, mas não se tem clareza quais são os danos colaterais e se esse tiro vai sair ou não pela culatra", afirmou.

"Pode ser que fique mais difícil combater o crime, pode ser que fique mais caro, inclusive para quem não tem nada a ver com isso."

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-terrorismo-e-crime-organizado-nao-tem-mesmo-objetivo-politico/