A discussão sobre a redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes hediondos gerou uma crise interna no Partido dos Trabalhadores.
De acordo com o analista de política Pedro Venceslau, a movimentação do senador Camilo Santana (PT-CE) para coletar assinaturas em favor da proposta expõe uma contradição histórica dentro da legenda, que sempre foi contrária a esse tipo de medida.
“A questão da maioridade penal está para a campanha do Lula como o fim da escala 6×1 está para a campanha do Flávio”, afirmou o analista durante o CNN 360º desta quinta-feira (15).
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Publicado em 2026-10-15 17:33:42Segundo Venceslau, em ambos os casos, a avaliação é de que os candidatos se viram obrigados a adotar posições que não eram suas preferências originais por pressão do contexto eleitoral.
Camilo Santana e o racha no PT
Venceslau destacou que Camilo Santana ocupa papel central na coordenação da campanha de Lula e que qualquer movimento seu deve ser lido como um ato tanto do governo quanto da campanha.
“Camilo Santana jamais faria um movimento dessa magnitude sem antes consultar o presidente da República”, disse o analista.
No entanto, a coleta de assinaturas gerou desconforto entre parlamentares petistas, que se sentiram surpreendidos por não terem sido consultados previamente.
“Conversei com alguns quadros da sigla hoje e eles estavam bastante incomodados. Alguns disseram estar desconfortáveis com o que eles chamaram de um ‘atropelo’ de Camilo Santana, porque ele não consultou antes a bancada e não fez debate interno”, relatou Venceslau.
O analista acrescentou que muitos petistas foram pegos de surpresa quando jornalistas os procuraram para saber se havia ocorrido uma mudança histórica de posicionamento do partido.
Estratégia eleitoral e pesquisas internas
De acordo com o analista, a movimentação de Camilo Santana foi, na verdade, uma reação a uma estratégia do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Marinho tentou inserir a emenda da redução da maioridade penal junto à PEC da Segurança Pública com o objetivo de deixar o governo acuado.
“O problema é que as pesquisas internas do comitê do presidente Lula e as pesquisas de intenção de voto em geral mostram que existe um amplo apoio da sociedade à redução da maioridade penal”, explicou Venceslau.
O próprio vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), manifestou-se publicamente em defesa da redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes graves, como homicídios e latrocínios.
Para Venceslau, a declaração de Alckmin, que estava em Salvador ao lado do governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT-BA) para um encontro com empresários, não foi por acaso:
“Ele foi escalado para essa missão, justamente porque o principal papel do Alckmin é tentar dialogar com aquela audiência mais conservadora que tem resistências ao presidente Lula.”
Desafio eleitoral e autenticidade em xeque
O analista afirmou que a leitura da campanha é de que o eleitor petista não migrará para o campo adversário por conta da mudança de posição.
“Mas o eleitor médio vai entender que essa é uma posição autêntica ou vai parecer somente uma estratégia eleitoral oportunista?”, ponderou Venceslau.
Segundo ele, em uma campanha tão acirrada, qualquer sinalização nesse sentido pode fazer diferença, e as pesquisas internas, os chamados trackings, são monitoradas de perto pela equipe de campanha para avaliar o impacto da decisão.