O líder russo Vladimir Putin declarou que não vê sentido em se reunir com Volodymyr Zelensky. O encontro havia sido proposto pelo ucraniano como um esforço pelo fim da guerra na Ucrânia, que se arrasta desde fevereiro de 2022.
“Essa recusa reforça, de certa maneira, a percepção de Moscou que ainda acredita poder melhorar a sua posição militar antes de fazer eventuais concessões relevantes“, afirmou a analista de Internacional Fernanda Magnotta ao CNN 360º desta sexta-feira (5).
Segundo a analista, o que prevalece nesse cenário é a lógica de “negociar combatendo”, o que torna limitadas as chances de um cessar-fogo ou de uma negociação mais assertiva no curto prazo. “Ao invés de parar para negociar, o que a gente deve continuar assistindo é a continuidade do conflito“, acrescentou.
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Publicado em 2026-06-05 19:49:19Zelensky tenta transferir debate para o campo político
Magnotta explicou que, com a carta enviada a Putin nos últimos dias, Zelensky tentou transferir o debate para o plano político e simbólico, abordando os custos internos da guerra para a própria Rússia.
“Ao invés de falar sobre a Ucrânia e a perspectiva ucraniana que todo mundo já conhece, ele tentou sugerir que poderia ser interessante, do ponto de vista dos ativos russos, considerar essa pausa”, disse a analista.
A negativa de Putin, segundo Magnotta, demonstra que não há interesse russo em entrar nessa arena de negociação. Diante da resposta negativa à reunião, o risco agora, na avaliação de Magnotta, é de novas ondas de ataques nas próximas semanas e também o aumento de operações ucranianas em território russo.
Papel de Donald Trump
Sobre o papel de Donald Trump na tentativa de resolução do conflito, Magnotta avaliou que sua capacidade de ingerência é relativamente limitada. “A gente já percebeu por diversas ocasiões que Trump de fato não controla os cálculos estratégicos de Moscou“, afirmou.
As ferramentas disponíveis a Trump incluiriam pressão econômica, endurecimento de sanções e sanções secundárias para quem mantém relações com a Rússia, mas a analista ressaltou que essas medidas já existem e já são bem severas.
“Ele pode, de alguma maneira, tentar articular diálogos, mediando a aproximação. Mas a gente já viu ele tentando fazer isso antes, inclusive de maneira bastante emblemática, recebendo Putin no território americano com tapete vermelho, e nem com aquela conversa a gente viu emergir uma solução definitiva”, destacou Magnotta.
Para a analista, enquanto os interesses tanto do lado russo quanto do lado ucraniano forem incompatíveis e não houver construção de confiança, dificilmente qualquer mediação produzirá resultados definitivos.