Apesar das articulações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para manter a neutralidade do Centrão, parte do grupo começa a enxergar em Flávio Bolsonaro (PL) uma perspectiva de poder que pode alterar o cenário eleitoral no segundo turno.
O analista de Política Pedro Venceslau lembrou que, no primeiro turno, o Centrão optou por uma postura neutra e não concedeu a Flávio Bolsonaro o tempo de televisão ao qual ele teria direito.
“Se União Brasil, Progressistas e Republicanos tivessem fechado com o Flávio, ele teria uma larga vantagem sobre o presidente Lula no palanque eletrônico, que poderia fazer toda a diferença numa eleição como essa”, afirmou Venceslau durante o Hora H desta segunda-feira (21).
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Publicado em 2026-09-21 20:53:33De acordo com o analista, essa neutralidade no primeiro turno foi resultado de uma combinação de fatores. “O presidente Lula e seus aliados operaram nos bastidores e houve também uma desconfiança com a expectativa de poder que o Flávio gerava”, explicou Venceslau.
No entanto, na avaliação do analista, o cenário pode mudar. Segundo o analista, a equipe de Flávio Bolsonaro estaria tentando se aproximar de algumas lideranças partidárias.
“Caciques que foram, de certa forma, ignorados no primeiro turno, para que eles anunciem um apoio formal para o segundo turno”, afirmou Venceslau, descrevendo o perfil de liderança que Flávio está mirando.
Em paralelo, Lula tenta impedir essa migração dos partidos do Centrão. “Existe uma tratativa ali do lado do presidente Lula de evitar que isso aconteça, de manter a neutralidade, liberando os diretórios estaduais”, destacou Venceslau.
O analista ressaltou que o governo federal aposta especialmente em manter o PSD, que atualmente tem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato à Presidência, neutro.
Limitações do apoio
Pedro Venceslau ponderou, contudo, que o valor estratégico do apoio do Centrão é menor no segundo turno do que no primeiro.
“O tempo de televisão no segundo turno é dividido igualmente, 50% e 50%. Também não tem mais as eleições para deputado”, explicou.
O analista também questionou se, diante do atual clima de desconfiança em relação às emendas parlamentares, um candidato realmente se beneficiaria de estar associado publicamente ao Centrão. “Nesse momento de desconfiança, não é exatamente uma força política muito popular”, concluiu Venceslau.