O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, durante coletiva de imprensa, que “a situação política no Brasil se tornou perigosa”. A declaração foi feita após um repórter questionar o americano sobre as novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil e a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo americano. O episódio ocorreu à margem da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que “Trump fala muito e ouve pouco”. O presidente brasileiro acrescentou ainda que Trump age como imperador ao se referir às tarifas e à designação de facções brasileiras como terroristas, e afirmou: “Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil”.
Confusão sobre os filhos de Bolsonaro
Durante a coletiva, ao ser questionado, Trump confundiu Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, com seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL), condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a quatro anos de pena por coação no processo da trama golpista.
Recomendamos para você
De Marie Curie à Nasa: como a água moldou a história de Águas de Lindóia
De Marie Curie à Nasa: como a água moldou a história de Águas de Lindóia. Crédito: rep...
Publicado em 2026-06-18 09:51:31
Líder de Lula teria recebido pagamentos e voos de jatinho de Vorcaro
Senador líder do governo é apontado pela PF por envolvimento em operação do Banco Master com Cre...
Publicado em 2026-06-18 09:41:15
Saiba como Jaques Wagner teria atuado em benefício do Banco Master, segundo a PF
Líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA) Carlos Moura/Agência Sen...
Publicado em 2026-06-18 09:40:49Eduardo vive nos Estados Unidos e não foi preso. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna avaliou que Trump misturou os dois em uma única figura, provavelmente mal informado sobre os detalhes do caso. “Trump nem sabe que o Bolsonaro tem mais de um filho”, observou Lourival.
Encontro nos corredores do G7
Trump e Lula se cruzaram rapidamente pelos corredores do evento. No breve encontro, Trump teria dito “good job” (“bom trabalho”) ao brasileiro, numa espécie de elogio. Para Lourival Sant’Anna, isso reforça a avaliação de que Trump não nutre disposição negativa em relação a Lula pessoalmente.
“Tarifas, designação de grupos terroristas são políticas do governo Trump, não é algo dirigido contra o presidente Lula”, disse o analista.
Lula como beneficiário político do embate
O analista de Política da CNN Caio Junqueira avaliou o impacto do episódio: “Essa dança hoje é só o Lula que lucra, é só o Lula que ganha”. Segundo ele, a receita histórica do PT para ganhar eleições — com discurso de esquerda na campanha e governança mais pragmática — está sendo muito ajudada, neste ano, pelo próprio Trump e pelo bolsonarismo nos Estados Unidos.
Para âncora da CNN Thais Herédia, o embate com Trump rende a Lula um presente eleitoral, reforçando o argumento da soberania nacional. Herédia trouxe ainda à análise o contexto histórico da identidade política de Lula, ressaltando que o brasileiro disse à diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, e ao chanceler alemão, Friedrich Merz, em conversa informal captada por microfones, que nunca foi de esquerda.
A âncora ponderou que, num país polarizado como o Brasil, Lula jamais poderia repetir essa afirmação ao eleitorado. “Vamos ver como é que ele vai usar essa fórmula entre o que ele é de verdade e o personagem que ele cria para ganhar a eleição de novo”, disse a âncora.