O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, durante coletiva de imprensa, que “a situação política no Brasil se tornou perigosa”. A declaração foi feita após um repórter questionar o americano sobre as novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil e a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo americano. O episódio ocorreu à margem da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que “Trump fala muito e ouve pouco”. O presidente brasileiro acrescentou ainda que Trump age como imperador ao se referir às tarifas e à designação de facções brasileiras como terroristas, e afirmou: “Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil”.

Confusão sobre os filhos de Bolsonaro

Durante a coletiva, ao ser questionado, Trump confundiu Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, com seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL), condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a quatro anos de pena por coação no processo da trama golpista.

Recomendamos para você

Eduardo vive nos Estados Unidos e não foi preso. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna avaliou que Trump misturou os dois em uma única figura, provavelmente mal informado sobre os detalhes do caso. “Trump nem sabe que o Bolsonaro tem mais de um filho”, observou Lourival.

Encontro nos corredores do G7

Trump e Lula se cruzaram rapidamente pelos corredores do evento. No breve encontro, Trump teria dito “good job” (“bom trabalho”) ao brasileiro, numa espécie de elogio. Para Lourival Sant’Anna, isso reforça a avaliação de que Trump não nutre disposição negativa em relação a Lula pessoalmente.

“Tarifas, designação de grupos terroristas são políticas do governo Trump, não é algo dirigido contra o presidente Lula”, disse o analista.

Lula como beneficiário político do embate

O analista de Política da CNN Caio Junqueira avaliou o impacto do episódio: “Essa dança hoje é só o Lula que lucra, é só o Lula que ganha”. Segundo ele, a receita histórica do PT para ganhar eleições — com discurso de esquerda na campanha e governança mais pragmática — está sendo muito ajudada, neste ano, pelo próprio Trump e pelo bolsonarismo nos Estados Unidos.

Para âncora da CNN Thais Herédia, o embate com Trump rende a Lula um presente eleitoral, reforçando o argumento da soberania nacional. Herédia trouxe ainda à análise o contexto histórico da identidade política de Lula, ressaltando que o brasileiro disse à diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, e ao chanceler alemão, Friedrich Merz, em conversa informal captada por microfones, que nunca foi de esquerda.

A âncora ponderou que, num país polarizado como o Brasil, Lula jamais poderia repetir essa afirmação ao eleitorado. “Vamos ver como é que ele vai usar essa fórmula entre o que ele é de verdade e o personagem que ele cria para ganhar a eleição de novo”, disse a âncora.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/analise-lula-usa-criticas-a-trump-como-capital-politico/