A inflação ao consumidor nos Estados Unidos voltou a dominar as discussões do mercado financeiro. O índice CPI americano registrou alta de 4,2%, com o setor energético respondendo por 3,9 pontos percentuais desse avanço — um segmento que acumula elevação superior a 23% nos últimos 12 meses.
Gilvan Bueno, colunista do CNN Money, participou de entrevista diretamente de Miami para comentar o cenário econômico americano e o comportamento dos investidores brasileiros.
Ele destacou que o impacto dos preços no cotidiano dos americanos vai além do que os mercados de ações conseguem capturar.
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Publicado em 2026-06-13 07:00:47“A gente tinha aqui uma gasolina a US$ 3 o galão e agora está a US$ 4,60. Isso é quase US$ 1,60, é uma alta muito representativa, que o mercado de ações não consegue capturar”, afirmou Bueno, reproduzindo a avaliação de um consultor independente com quem conversou.
Brasileiros buscam ativos nos Estados Unidos
Em meio ao cenário desafiador no Brasil, onde a Bolsa de Valores registra quedas por oito semanas consecutivas, investidores brasileiros têm retirado recursos do mercado de ações doméstico e direcionado capital para os Estados Unidos.
Bueno estava em Miami justamente para participar de uma imersão com 20 consultores independentes especializados em grandes fortunas, com o objetivo de mapear os ativos internacionais disponíveis para investidores, profissionais e empresários brasileiros.
Entre os temas abordados estavam o mercado imobiliário americano, oportunidades em empresas como a Revolut e discussões sobre o IPO da SpaceX.
“A ideia é capturar tudo o que tem de atrativo, levar para os investidores, para os profissionais e os empresários, mostrando o que o brasileiro pode acessar nesse momento de muita insegurança”, afirmou Bueno.
Juros e política monetária em debate
Bueno avaliou que a perspectiva de redução dos juros nos Estados Unidos enfrenta obstáculos significativos, especialmente diante da pressão inflacionária no setor de energia.
Segundo ele, análises preditivas de algumas casas financeiras indicam que Kevin Walsh, novo nome à frente da política monetária americana, dificilmente conseguirá alterar de forma substancial a postura adotada por Jeremy Powell, que resistiu às pressões por cortes rápidos nas taxas.
“Não tem como descer esses juros porque você vai ter uma inflação que vem muito forte no setor energético“, destacou o colunista, citando a avaliação de consultores independentes ouvidos em Miami.
O analista também alertou para os riscos de uma reversão brusca na política monetária. Ele lembrou que, quando os juros foram elevados de 0,50% para 4%, vários bancos médios e pequenos nos Estados Unidos foram à falência.
Na avaliação de Bueno, qualquer movimento muito agressivo — seja na alta dos juros ou na redução do balanço do banco central — pode provocar impactos severos em setores como o imobiliário, que tem sustentado parte relevante do crescimento econômico em regiões como a Flórida.