A crise no Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos e começa a se transformar em peça central do jogo eleitoral brasileiro. Segundo a analista de Política Clarissa Oliveira, há um movimento articulado de parte dos ministros para postergar o julgamento do caso que envolve Alexandre de Moraes, possivelmente até 2027.
“Há um consenso na ala pró-Alexandre de Moraes de que o holofote das eleições acaba sendo uma peça muito importante em tudo que está acontecendo no Supremo”, destacou Clarissa durante o Live CNN desta terça-feira (23).
A analista apontou a existência de uma espécie de contra-ofensiva protagonizada pela ala ligada ao ministro André Mendonça e por ministros mais críticos a Alexandre de Moraes.
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Publicado em 2026-09-23 13:40:08“Tanto é que a gente viu a resposta muito dura, muito intensa de André Mendonça às acusações que são feitas ali pelo grupo de Alexandre de Moraes”, afirmou a analista.
Essa resposta veio à tona na manifestação em que Mendonça pediu o arquivamento da investigação aberta a partir de acusações feitas por Moraes sobre a atuação dele nos casos Banco Master e INSS.
“O que a gente segue vendo acontecer nos bastidores do Supremo é essa troca de acusações, vazamento de dados, diálogos retirados do celular de Daniel Vorcaro sendo utilizados para servirem de munição, inclusive eleitoral, contra magistrados que estejam no lado oposto ao de Alexandre de Moraes“, destacou Clarissa.
Nos últimos dias, vieram a público informações que intensificaram suspeitas em torno de outros ministros, como Nunes Marques e Luiz Fux. “Que são ministros que têm se posicionado nessa ponta mais crítica a Moraes dentro do STF”, acrescentou a analista.
Objetivos da ala pró-Moraes
Segundo Clarissa, a movimentação dos aliados de Moraes é clara: “Tentar manter essa briga acesa, diminuir o discurso dos adversários dentro da Corte, com o objetivo de esvaziar as pressões para que o caso dele ainda seja pautado”.
Para a analista, o movimento para empurrar o caso para depois das eleições, junto com a difusão de informações que comprometem outros ministros, tem como meta deixar que o pedido de investigação contra Moraes esfrie e “acabe em pizza“.
“Um objetivo quase de transmitir a mensagem de que tem coisas que envolvem Moraes, mas tem um monte de histórias sobre outros ministros. Se a gente for fazer a conta de todos os magistrados que foram envolvidos no caso Master, a gente compromete metade da Casa”, destacou Clarissa.
Contudo, os bastidores do STF indicam o contrário. “Por enquanto, a crise segue sendo munição eleitoral, sendo arma entre um campo e outro, e inclusive tendo a mão das campanhas nos bastidores para alimentar e disseminar essas informações“, concluiu Clarissa.