A nova fase da Operação Sem Desconto da PF (Polícia Federal), que apura fraudes no INSS, atingiu aliados tanto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), lançando uma nova camada sobre a corrida eleitoral a menos de três meses das eleições. As campanhas dos dois lados avaliam o possível impacto dessas investigações nas urnas.
A operação atingiu familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de Lula, e o advogado Willer Tomaz, já chamado de amigo por Flávio Bolsonaro. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro: a esposa de Weverton teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Tomaz.
O senador afirmou que não há irregularidades e tratou as suspeitas como ataques com viés eleitoral. Já Willer Tomaz disse ter sido alvo de busca e apreensão por ser dono de uma aeronave usada pelo senador.
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Publicado em 2026-08-05 04:00:37Inquérito contra Lulinha e o caso Marcola
Também na terça-feira (4), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino autorizou a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho de Lula, por suposto tráfico de influência.
Além disso, veio à tona a informação de que a empresária Roberta Luchsinger, ligada a Lulinha, fez pagamentos para o então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que hoje atua na campanha petista. Marcola afirmou tratar-se de um empréstimo pessoal já quitado.
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, relatou que os aliados de Lula e a campanha do PT estavam “bastante desnorteados” desde o início da manhã, “tentando medir o impacto do desgaste e como se desfazer dessa nova crise”.
Segundo Rittner, o timing é especialmente preocupante: “até a eleição não dá tempo de esclarecer se foi de fato um empréstimo ou um simulacro de empréstimo”.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, passou a explorar rapidamente o episódio nas redes sociais, buscando mudar a narrativa em um momento em que também enfrenta pressões pelas dificuldades de formar alianças e pelas suspeitas envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A figura de Marcola no centro das atenções
A âncora da CNN Thais Herédia destacou a centralidade de Marcola nesse contexto. “Uma pessoa que está na antessala do presidente da República há tanto tempo certamente sabe o que é um comportamento republicano”, afirmou, acrescentando que o ambiente de proteção em torno do poder pode ter levado a uma presunção de impunidade.
O analista de Política da CNN Caio Junqueira descreveu Marcola como alguém que “digita o celular para o presidente Lula” e que, de maneira figurada, “tem a chave de todos os ministérios”, ressaltando a gravidade de seu envolvimento nas suspeitas que conectam o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, Roberta Luchsinger e o próprio filho do presidente.
Vazamentos na PF e o papel do Supremo
Os analistas também debateram a crise interna na Polícia Federal, marcada por disputas e vazamentos para múltiplos lados.
Caio Junqueira observou que, há dois meses, os vazamentos miravam Flávio Bolsonaro (PL), e agora atingem o campo do PT, sugerindo que diferentes grupos dentro da corporação estariam agindo de forma coordenada com interesses políticos distintos. O analista classificou a situação como “muito simbólica dessa guerra”.
Sobre o papel do STF (Supremo Tribunal Federal), o analista avaliou que uma ala da Corte estaria “extremamente preocupada” com o resultado eleitoral, uma vez que o próximo presidente da República indicará quatro ministros do STF. Segundo Caio Junqueira, essa ala estaria “atuando e operando justamente para tentar manter o status quo atual”.
Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva, acrescentou que, mesmo com uma eventual vitória de Lula em outubro, o Senado provavelmente não será tão favorável à Corte quanto tem sido nos últimos anos, o que significa que “o receio do Supremo hoje não se encerra no dia 4, no dia 26 de outubro”.