O governo de Donald Trump divulgou um novo relatório que aponta a possibilidade de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O documento, emitido pelo USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), alega práticas comerciais e políticas consideradas injustas contra americanos, citando como exemplos o Pix e a regulamentação de big techs por meio de decreto.
Em reação ao anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que aguarda um telefonema de Trump para esclarecer a proposta. Ele relembrou a afirmação de Trump sobre uma “química” entre os dois e disse que o anúncio não está de acordo com o que foi combinado no último encontro, em maio.
“Nós daqui não temos medo de cara feia. Nós não queremos guerra com ninguém. Nós queremos paz e queremos ser respeitados”, declarou Lula.
Recomendamos para você
Fim da taxa de licenciamento para veículos é aprovado por deputados do RS
Deputados aprovam o fim da taxa de licenciamento para veículos no RS DetranRS A Assembleia ...
Publicado em 2026-06-03 09:55:30
Justiça condena homem por usar relacionamento para aplicar golpe de R$ 104 mil contra ex-namorada em Caraguatatuba, SP
Matheus Rodelo Monteiro Machado, de 27 anos, é alvo de mais de 50 denúncias de golpes Rede...
Publicado em 2026-06-03 09:50:47
Brasil com menos vagas de emprego: quem vai pagar a conta da escala 6×1?
Antonio Cabrera escreve sobre os efeitos do fim da escala 6x1 em vários setores da economia, inclus...
Publicado em 2026-06-03 09:49:23Lula cobra reunião e contesta anuência ao tarifaço
Lula também defendeu o Pix, classificando-o como “uma invenção brasileira” que “faz um bem ao povo brasileiro”. Ele afirmou que o anúncio das tarifas não contou com a sua concordância nem com a de Trump, já que os dois haviam combinado um prazo de 30 dias — até 15 de julho — para que seus ministros negociassem.
“Eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência”, disse Lula, dirigindo-se diretamente a Trump.
Brasil tem condições de reverter as tarifas?
A advogada Soraia Mendes acredita que o Brasil tem força para reverter o novo tarifaço. Segundo ela, a medida também é prejudicial à economia estadunidense e traz “dividendos eleitorais negativos” para Trump, afetando os interesses do Partido Republicano em permanecer no poder.
Ela destacou ainda a postura soberana do Brasil durante o primeiro tarifaço, lembrando que o setor do agronegócio foi amplamente defendido pelas negociações conduzidas pela diplomacia brasileira.
“O agro não deve nada, absolutamente nada, neste último período em função das negociações que foram feitas de forma altiva pelo Brasil”, afirmou Soraia.
Soraia também mencionou que, no mesmo dia do anúncio do novo tarifaço, a China declarou o Brasil como país livre de febre aftosa, o que deve ampliar os rendimentos do agronegócio brasileiro.
Ela fez ainda uma referência à visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Trump, sugerindo que o resultado das tarifas teria sido influenciado por essa conversa, e não pelas tratativas oficiais entre os dois governos.
Empresário pede maturidade no debate e critica narrativa ideológica
O empresário Leonardo Bortoletto também acredita que o Brasil tem condições de reverter o tarifaço, mas fez ressalvas importantes. Para ele, a reversão do primeiro tarifaço se deveu principalmente à visita de empresários — muitos deles do agronegócio — e não à articulação política do governo.
Bortoletto destacou ainda que o novo tarifaço tem impacto inflacionário menor sobre a economia americana do que o anterior, o que pode dificultar sua reversão por pressão interna nos Estados Unidos.
O empresário ressaltou que o debate sobre o tema deve ser conduzido com maturidade e sem viés ideológico. “A ideologia é muito pequena perante esse assunto que nós estamos tratando”, afirmou.
Ele alertou que, independentemente do resultado das eleições, o Brasil precisa enfrentar problemas concretos como o custo de vida, a segurança pública e a corrupção. “Nós temos um país para consertar”, concluiu.