Análise: Ataques de Israel ao Líbano dificultam fim da guerra

O analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, analisa como a escalada israelense no Líbano ameaça o acordo entre EUA e Irã e pode reabrir a guerra total na região

No momento em que Estados Unidos e Irã sinalizavam avanços concretos em direção a um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio, uma série de acontecimentos voltou a complicar as negociações. O analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, comenta as ações de Israel contra o Líbano.

Segundo Américo, elas surgem como um fator decisivo de obstáculo às tratativas de paz.

Martins destacou que, no exato momento em que americanos e iranianos davam "indicações claríssimas" de que poderiam finalmente chegar a um entendimento, a região foi palco de eventos que parecem configurar um boicote deliberado às negociações por parte de alguns atores locais.

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Netanyahu ameaça retomar guerra total no Líbano

De acordo com o analista, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a intenção de intensificar os ataques ao Líbano, incluindo a capital Beirute, em resposta ao uso de drones pelo Hezbollah contra o norte do território israelense.

Nesta terça-feira (26), forças israelenses já retomaram bombardeios a posições do Hezbollah no Vale do Beqaa e no sul do Líbano, região que, em parte, segue sob ocupação israelense.

Martins ressaltou que o cessar-fogo entre as forças de defesa de Israel e o Hezbollah não era cumprido com regularidade: "É um cessar-fogo que foi desrespeitado o tempo inteiro", afirma.

Segundo ele, Netanyahu estaria "muito forçado pelos extremistas de direita no seu governo", que pressionam pelo retorno à guerra total no Líbano.

Direita radical israelense quer boicotar acordo EUA-Irã

O analista explicou que os políticos radicais de direita que integram o governo israelense buscam, de todas as formas, inviabilizar as negociações entre Irã e Estados Unidos.

A justificativa apresentada por esses setores é que os interesses de Israel não estariam sendo contemplados no acordo em discussão, e que existe o temor de que o Irã possa, no futuro, retomar a tentativa de desenvolver uma arma nuclear.

A alternativa defendida por esse grupo seria continuar a guerra e bombardear o Irã até eliminar, de forma quase total, suas capacidades militares.

No entanto, Martins ponderou que tal estratégia "demoraria muito tempo e teria um custo enorme em vidas humanas e também econômico", especialmente pelo fato de Ormuz permanecer bloqueado.

Trump quer encerrar o conflito; Irã exige paz também no Líbano

Martins apontou que o presidente americano, Donald Trump, demonstra interesse em encerrar a guerra, motivado sobretudo por preocupações econômicas relacionadas ao bloqueio de Ormuz e seus impactos no setor de energia.

O governo israelense, por sua vez, reconhece que não tem capacidade de influenciar totalmente as decisões americanas, ainda que, segundo o analista, a guerra tenha sido em grande medida impulsionada pelos próprios israelenses, que convenceram os americanos a participar dos ataques contra o Irã.

Para o Irã, qualquer negociação passa necessariamente pelo fim da guerra não apenas em seu território, mas também no Líbano, onde busca proteger seu aliado Hezbollah.

Diante desse cenário, Martins concluiu que, ao atacar o Hezbollah e reabrir o conflito no Líbano, Israel "acaba complicando qualquer chance de negociação para um acordo de paz".

"O que ocorre nessa frente secundária da guerra, no Líbano, vai complicar muito todas as negociações entre americanos e iranos", afirma Américo.

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