Análise: Apesar de dados sobre desemprego, informalidade segue alta
Taxa de desemprego atingiu 5,3% em agosto, mas quase 39 milhões de trabalhadores ainda estão na informalidade no Brasil; Victor Irajá analisa os números
A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível para o trimestre desde o início da série histórica, em 2012. O número de pessoas ocupadas chegou a mais de 103,5 milhões, também um recorde.
No entanto, esses números escondem uma realidade complexa do mercado de trabalho brasileiro. A PNAD Contínua indica que, dos mais de 103 milhões de ocupados no Brasil, quase 39 milhões trabalham na informalidade, o que representa 37,5% dos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, o emprego com carteira assinada no setor privado ficou estável tanto no trimestre quanto no acumulado do ano. "Existe uma discussão do ponto de vista de emprego no Brasil, mais do ponto de vista qualitativo do que quantitativo", afirmou o analista de economia Victor Irajá durante o CNN Novo Dia desta quarta-feira (30).
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Publicado em 2026-09-30 13:51:16De acordo com os dados divulgados pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram criadas mais de 165 mil vagas formais no último mês, com incremento de 7,2% em relação a agosto do ano anterior. No acumulado do ano, o saldo chegou a 1,1 milhão de vagas.
Porém, esse resultado representa uma queda de mais de 25% em comparação ao acumulado de janeiro a agosto de 2024, sinalizando um desaquecimento na geração de empregos.
Impacto da informalidade no endividamento
Irajá destacou que o cenário contrastante se reflete também nos índices de inadimplência: "O desemprego caiu para 5,3% e a inadimplência das famílias chegou a 6%, também um patamar recorde", afirmou.
Segundo o analista, a raiz do problema está na dificuldade de comprovação de renda. Trabalhadores informais não conseguem acessar linhas de crédito mais baratas, como o consignado privado, que oferece desconto direto na folha de pagamento.
"Já esse contingente que não tem carteira tende a depender mais do cartão de crédito, que a gente sabe que tem taxas de juros muito significativas", explicou Irajá.
As taxas de juros no rotativo dos cartões de crédito chegaram a 66,2% ao mês em agosto, podendo ultrapassar 460% ao ano, segundo dados do Banco Central. A inadimplência no cartão de crédito atingiu 10% no mês de agosto.
O próprio governo reconheceu o problema. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a dificuldade de comprovar renda empurra os trabalhadores informais para modalidades de crédito mais caras.
Irajá apontou que os dados da PNAD indicam uma manutenção dos patamares de renda, sem crescimento real, enquanto os salários das famílias seguem amplamente comprometidos com o pagamento de dívidas.