Aliados de Flávio Bolsonaro alertaram formalmente sua campanha sobre os riscos de adotar uma postura de “já ganhou” no início do segundo turno das eleições. A apuração é do analista de política Pedro Venceslau, que conversou com uma fonte situada no núcleo operacional da campanha.
Segundo essa fonte, o recado transmitido a Flávio e ao seu entorno é claro: é preciso evitar o clima de vitória antecipada e parar de falar sobre governos futuros.
“A campanha ainda não acabou, não é hora de falar sobre ministério, não é hora de falar sobre presidência da Câmara, presidência do Senado”, relatou Venceslau durante o CNN 360º desta sexta-feira (9).
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Publicado em 2026-10-09 16:47:09Dois riscos identificados pela campanha
Ainda de acordo com a fonte ouvida por Venceslau, a postura prematura de transição pode gerar dois efeitos negativos: passar uma imagem de arrogância e desmobilizar o eleitor e a militância, que, segundo a mesma fonte, fizeram a diferença no primeiro turno.
O analista lembrou que Flávio, após o primeiro turno, afirmou que, com a maioria no Congresso, seria possível eleger a presidência da Câmara, a presidência do Senado e promover modificações na Constituição.
“Isso foi lido por aliados como uma espécie de carta branca para começar a especular sobre o futuro do Congresso”, afirmou.
Vencelau relatou que passaram a circular no entorno da campanha questionamentos como: quem seria o presidente da Câmara dos Deputados, se Rogério Marinho (PL-RN) iria para a Casa Civil, e quem ocuparia o Itamaraty, com especulações sobre uma eventual indicação de Eduardo Bolsonaro.
“Enquanto no comitê de Lula, o clima é de campanha, no comitê do Flávio, o clima é de transição, e isso não é algo que pode ser encarado como algo positivo”, destacou Venceslau.
Estratégia: menos Brasília, mais ruas
Diante desse cenário, Flávio foi aconselhado a passar menos tempo em Brasília e a intensificar sua presença nas ruas.
Segundo a fonte da campanha, a capital federal acaba criando um ambiente propício ao clima de transição de governo, como se já fosse o momento de escolher novos quadros.
A estratégia para as próximas semanas prevê a retomada de eventos de massa, com grandes carreatas, motociatas, eventos em arenas e em espaços abertos.
“Sempre com muita gente, aquela imagem que dá a sensação de mobilização, de uma campanha que cria o efeito de onda eleitoral”, afirmou Venceslau.