Há anos, as escolas católicas deixaram de levar a mensagem cristã, de fato, aos estudantes. Muitas e muitas delas sequer oferecem a simples e básica catequese aos alunos. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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Atualmente, há um desmanche das escolas confessionais católicas. A cada ano, mais e mais colégios ligados ao catolicismo são adquiridos por grandes grupos educacionais que invadiram o mercado educacional brasileiro. O problema está em vários pontos conhecidos e em um especialmente pouco falado: como a mensagem de Jesus Cristo tem sido levada às crianças, aos jovens e aos adultos.

A educação no Brasil virou um grande negócio na mão de poucos grupos fortes financeiramente. Em 2025, por exemplo, foram R$ 112 bilhões movimentados com o ensino básico privado no Brasil. Apenas 20% das crianças e jovens brasileiros estão em escolas privadas. Como em qualquer país desigual, portanto, o Brasil segue esse rumo como se fosse o que ele realmente buscasse.

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O sucateamento das escolas públicas contribuiu demasiadamente para esse quadro. Vale lembrar que esse empobrecimento dos colégios públicos é fruto da incompetência, dos desvios de verbas e também tem o seu lado intencional. A máquina privatista que há décadas comanda o país trabalha arduamente contra o ensino público.

Todo ano há uma série de novidades educacionais. É o ensino bilíngue; a educação financeira; o horário integral; o socioemocional. Tudo é positivo, sem dúvidas. Mas, enquanto isso, o Brasil amarga resultados pífios no cenário educacional internacional, o que prejudica o crescimento social e econômico da nação. O PISA de 2022 mostrou que apenas 27% dos alunos brasileiros atingiram o nível mínimo de proficiência (nível 2) em matemática. A média dos países da OCDE é de 69%. O Brasil ficou em 64º lugar entre 81 países, com média 379 (a média da OCDE é 472).

É preciso excelência acadêmica no ensino religioso. O bom pastor atual necessita ser realmente bom, seja na bondade humana, seja na forma como passa a mensagem do Bom Pastor

Mas voltemos ao ensino religioso católico. Há anos, as escolas católicas deixaram de levar a mensagem cristã, de fato, aos estudantes. Muitas e muitas delas sequer oferecem a simples e básica catequese aos alunos. Eles vão estudar o catecismo em paróquias próximas, ou não, às unidades escolares.

O ensino da catequese nas paróquias, no entanto, é antiquado, insuficiente e raso. E a Igreja se abstém de rever esse modelo e trazer inovação na forma de ensinar o catecismo. Talvez pela ignorância, talvez pelo medo das novidades. O que está em discussão, no entanto, não é o canal, mas o conteúdo. A mensagem de Cristo é só uma. Muitos ainda insistem em levá-la ao público como castigo, culpa, punição. Deveria ser pelo lado da misericórdia, do perdão e do amor.

Há ainda, contudo, uma forte desigualdade dentro da Igreja. Enquanto algumas paróquias são riquíssimas, outras vivem à míngua, implorando que pobres fiéis as sustentem. Enquanto alguns padres fazem sucesso, por méritos próprios, com habilidade e trabalho, outros sequer conseguem preparar uma boa homilia para os frequentadores. Enquanto muitos religiosos fazem voto de pobreza, muitos líderes religiosos se fartam de mordomias que o mundo oferece.

Não há uma oferta de educação continuada para sacerdotes. Não há uma divisão, sequer uma distribuição, de renda para as paróquias mais necessitadas. Para quem não sabe, são as paróquias que se sustentam e ainda sustentam os superiores religiosos. O aprofundamento no estudo religioso, da teologia, finda com o seminário. Mas os que preferem seguir uma vida acadêmica ou ascender na carreira dentro da Igreja recebem ofertas de cursos internacionais que os tornam doutores. Parece que a educação e o catolicismo educacional se assemelham nesse ponto.

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Não há dúvidas de que o mundo evoluiu e a tecnologia está ocupando mais lugar do que nunca, bem como o pensamento das pessoas mudou. Também é entendido que a escola católica não fica restrita ao ensino religioso, tampouco à simples catequese. A missão de Cristo, entretanto, não mudou. Os que levam a mensagem dele, porém, precisam evoluir e aprender a usar novas tecnologias, novas linguagens, novos métodos de ensino e a estudar mais o Antigo e o Novo Testamentos para falar, de forma cotidiana e contemporânea, sobre o amor pregado por Jesus Cristo. É preciso tocar o coração e a alma. Sem isso, continuará crescendo o discurso secular, e as pessoas permanecerão pensando que espiritualidade é o mesmo que apenas bem-estar próprio.

Na educação, é necessário excelência acadêmica, sim, entre tantos outros fatores primordiais. No ensino religioso também. É preciso excelência acadêmica no ensino religioso. O bom pastor atual necessita ser realmente bom, seja na bondade humana, seja na forma como passa a mensagem do Bom Pastor.

Para o bom convívio e diálogo inter-religioso, para a luta contra a intolerância religiosa, pelo respeito e pela busca pelo bem comum, as instituições religiosas católicas, sejam as escolas, seja a própria Igreja no Brasil, precisam oferecer caminhos e oportunidades a quem leva e aos que querem levar a mensagem cristã. A concentração do conhecimento apenas vai levar ao caminho que o mercado econômico quer. E esse caminho não é o da evangelização.

Caio Castro Lima é jornalista, teólogo e autor do livro O menino que queria ser padre.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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