A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou o recolhimento voluntário de um lote da Água Mineral Crystal, após a identificação de uma bactéria em análises laboratoriais do produto.

A medida abrange 374,4 mil garrafas de 500 ml do lote LZ1, com validade em 20 de janeiro de 2027, distribuídas no Distrito Federal, em Goiás, no Tocantins e em São Paulo.

A contaminação envolve a bactéria “Pseudomonas aeruginosa“, a mesma identificada anteriormente em um lote de detergente da marca Ypê. A Anvisa suspendeu a comercialização, a distribuição e o consumo do lote específico enquanto as investigações prosseguem.

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O que é a bactéria Pseudomonas e quais são os riscos

O infectologista do Hospital Emílio Ribas Nilton Cavalcante explicou que a bactéria “Pseudomonas” existe na natureza, especialmente em locais úmidos e no solo, e pode estar presente no organismo humano. “Essa bactéria coabita conosco”, afirmou.

Segundo o médico, a maioria das pessoas não desenvolverá nenhum problema ao ser exposta à bactéria. “Vai depender da quantidade que foi ingerida e da imunidade da pessoa que se expôs àquele agente”, destacou.

Cavalcante alertou que os grupos mais vulneráveis são aqueles com imunidade comprometida. Ele explicou ainda que, ao ser ingerida, a bactéria pode competir com os micro-organismos já presentes no organismo e, caso consiga se estabelecer, colonizar o local e aguardar uma oportunidade para causar dano.

“Esse dano pode não ser imediato, pode ser um dano mais para frente”, disse o infectologista.

Falha no sistema de desinfecção

Para o especialista, a presença da bactéria indica uma falha no sistema de controle de infecção. “O correto é não ter bactéria, nem ‘Pseudomonas‘, nem ‘Escherichia coli‘”, afirmou.

O infectologista ressaltou que a água mineral passa por controles adicionais, como verificação de toxinas, metais e sais, e que a identificação de qualquer irregularidade exige o recolhimento imediato do produto. “Se tem uma bactéria, tem uma falha, e podem ocorrer outras falhas”, alertou.

Nilton Cavalcante orientou que a maioria das pessoas não sentirá nenhum sintoma. No entanto, caso alguém apresente alguma reação adversa após consumir a água do lote identificado, o recomendado é procurar um médico e informar sobre o consumo do produto. “O médico vai avaliar se isso é importante nesse caso ou não”, concluiu Cavalcante.

Posicionamento da empresa e orientações ao consumidor

A empresa Crystal informou que a contaminação foi identificada em uma única amostra coletada no Distrito Federal durante fiscalização. Segundo o fabricante, o lote teria sido envasado em janeiro deste ano e sua circulação é restrita.

A empresa afirmou ainda ter realizado mais de 300 análises após a identificação, com resultados negativos em todos os casos, e que os demais produtos da marca não foram afetados.

Consumidores que possuírem garrafas do lote LZ1, com validade em 20 de janeiro de 2027, devem evitar o consumo imediato e procurar o estabelecimento onde realizaram a compra ou entrar em contato diretamente com a empresa Crystal para obter o ressarcimento e realizar a devolução do produto de forma adequada.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/agua-mineral-crystal-medico-explica-riscos-de-infeccao-por-bacteria/