Aclara fala em transferência tecnológica e avalia refino no Brasil
Executivo afirma que validação da tecnologia de separação nos EUA é primeiro passo para possível transferência ao Brasil e refino no país; companhia desenvolve projetos em Goiás e parceria com o Japão
O vice-presidente executivo da Aclara Resources, José Augusto Palma, afirmou nesta quinta-feira (8) que a companhia vê a possibilidade de levar ao Brasil a tecnologia de separação e refino de terras raras atualmente em desenvolvimento nos Estados Unidos, abrindo caminho para uma cadeia produtiva mais integrada no país.
A declaração ocorreu durante um evento sobre minerais críticos promovido pelo Instituto Diálogos, em Brasília, no qual o executivo destacou os avanços tecnológicos da mineradora e os desafios para desenvolver uma cadeia industrial capaz de competir com a China.
“O trabalho continua. Continua a pesquisa e demonstração da Aclara para separação eficiente de sete terras raras essenciais, base necessária para posteriormente implementar no Brasil e viabilizar o ciclo completo de separação”, afirmou.
Recomendamos para você
Representante da campanha diz que governo de Flávio Bolsonaro não privatizaria Banco do Brasil, Caixa e Petrobras
O economista Adolfo Sachsida, que integra a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da Rep...
Publicado em 2026-10-08 12:17:56
Empresas de fertilizantes pedem R$ 2,9 bilhões no Brasil Soberano
BNDES aprovou R$ 1,7 bilhão em 65 operações, mas desembolsos somam R$ 200 milhões...
Publicado em 2026-10-08 12:15:18
Lollapalooza Brasil 2027: confira o line-up completo da próxima edição
Festival ocorre entre 19 e 21 de março de 2027, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo...
Publicado em 2026-10-08 12:01:24A separação é considerada uma das etapas mais complexas da cadeia de terras raras. Depois da extração e do beneficiamento mineral, os elementos precisam ser individualizados e transformados em óxidos de alta pureza, utilizados posteriormente na fabricação de metais, ligas e ímãs permanentes.
Atualmente, a Aclara desenvolve essa tecnologia em uma planta de demonstração no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Nesta semana, a companhia anunciou a ampliação dos testes para incluir ítrio, gadolínio e samário, além de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
A tecnologia deverá abastecer o projeto Dynamo, uma instalação industrial de separação planejada para a Louisiana, nos Estados Unidos, que receberá carbonatos mistos produzidos nos projetos minerais da companhia no Brasil e no Chile.
Palma afirmou que, atualmente, os Estados Unidos oferecem condições mais favoráveis de custos e infraestrutura para a instalação de unidades de separação e refino de terras raras.
Segundo o executivo, a decisão de investir no país reflete oportunidades que precisam ser aproveitadas pelo setor privado, mas não descarta uma futura transferência da tecnologia ao Brasil, à medida que as condições para o desenvolvimento dessa etapa da cadeia produtiva se tornem mais competitivas.
“Desenvolver uma indústria requer maturidade e tempo”, disse o executivo.
A possibilidade de implementar essa etapa no Brasil representaria um avanço em relação ao modelo atualmente previsto, no qual a extração e a produção de carbonatos ocorrem nos países produtores, enquanto o processamento de maior valor agregado é realizado no exterior. A companhia, no entanto, ainda não anunciou um investimento ou cronograma para instalar uma refinaria no território brasileiro.
Projetos no Brasil
A Aclara busca desenvolver uma cadeia ocidental integrada de terras raras, conectando seus projetos de mineração no Brasil e no Chile às etapas de separação, refino e produção de metais e ligas nos Estados Unidos.
A estratégia pretende reduzir a dependência da China, que concentra grande parte da capacidade global de processamento desses minerais, e estabelecer uma cadeia de suprimentos fora do domínio chinês.
O principal empreendimento da Aclara no país é o projeto Carina, localizado em Nova Roma, no estado de Goiás. A companhia pretende iniciar a produção comercial em 2028, com uma estimativa de produção média anual equivalente a 4.378 toneladas de óxidos de terras raras.
Palma ressaltou que a construção de uma cadeia de suprimentos capaz de competir com a estrutura industrial chinesa depende do desenvolvimento de tecnologias e processos, além da entrada em operação dos próprios projetos minerais. Segundo o executivo, essa transformação não acontece de forma imediata.
Além dos projetos minerais no Brasil e no Chile e da futura instalação de separação nos Estados Unidos, a companhia inaugurou na última quarta-feira (7), em parceria com a chilena CAP, uma planta demonstrativa para a produção de metais e ligas de terras raras.
A iniciativa pretende desenvolver a etapa posterior ao refino, aproximando a companhia da produção dos insumos utilizados pela indústria de ímãs permanentes.
No Brasil, a Aclara também busca ampliar sua presença por meio de uma parceria com a JOGMEC, agência estatal japonesa voltada à segurança de abastecimento de recursos minerais.
O acordo, anunciado em setembro, prevê até US$ 4,5 milhões em investimentos para a exploração de novos depósitos de terras raras em argilas iônicas. Em contrapartida, a organização japonesa poderá adquirir uma participação de 30% em um dos empreendimentos desenvolvidos pela companhia. O projeto Carina não faz parte da parceria.
Segundo Palma, a empresa já realiza pesquisas em diferentes estados brasileiros e está confiante na possibilidade de anunciar novos projetos ao longo de 2027.