O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (20) o envio da investigação da chamada “Abin Paralela” contra o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e outros investigados à Justiça Federal do Distrito Federal.

A decisão preserva todos os atos de investigação e as provas já produzidas pela Polícia Federal. Os autos serão encaminhados à Presidência do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) para distribuição a uma das Varas Criminais da Justiça Federal do DF, onde o caso passará a tramitar.

Polícia Federal finalizou a investigação em 17 de junho do ano passado e concluiu que 36 pessoas cometeram crimes ao usar ilegalmente ferramentas de monitoramento na Abin.

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A apuração trata da existência de uma estrutura clandestina dentro da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que utilizava o sistema de geolocalização First Mile e outras ferramentas para realizar monitoramentos ilegais, sem autorização judicial, de autoridades públicas, jornalistas e ministros do próprio Supremo.

Segundo a PF, Carlos Bolsonaro integra o chamado “núcleo político” da organização investigada. De acordo com a decisão de Moraes, o vereador coordenava o denominado “Gabinete do Ódio”, articulando campanhas de desinformação, difusão de informações sigilosas e ataques ao sistema eleitoral, ao STF e a opositores políticos.

O relatório também menciona a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ele não foi indiciado nesse procedimento, uma vez que sua conduta em relação aos mesmos fatos já havia sido analisada nas ações penais sobre os atos antidemocráticos e a tentativa de golpe de Estado, nas quais já foi condenado.

Por isso, o STF acompanhou o parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) e concluiu que, encerrada a análise sobre Jair Bolsonaro, única autoridade com foro por prerrogativa de função no caso, os fatos remanescentes não justificam a permanência da investigação no STF.

Segundo a PGR, as acusações pendentes concentram-se em supostos crimes contra a Administração Pública decorrentes da violação de deveres funcionais, cuja competência é da Justiça Federal de primeira instância.

O entendimento aplicado ao ex-presidente foi aplicado também ao ex-diretor-geral da Abin Alexandre Ramagem, ao servidor Giancarlo Gomes Rodrigues e ao policial federal Marcelo Araújo Bormevet, que também já haviam sido condenados pelos mesmos fatos. Por isso, Moraes determinou o arquivamento da investigação em relação aos quatro.

Além disso, o ministro arquivou as investigações contra a atual cúpula da Abin por ausência de justa causa. Nesse sentido, processos contra Alessandro Moretti, Luiz Carlos Nóbrega Nelson, Luiz Fernando Corrêa, José Fernando Moraes Chuy e Lucio de Andrade Vaz Parente foram arquivados.

Quem continuará sendo investigado

Com a remessa do caso à Justiça Federal do Distrito Federal, permanecem sob investigação, suspeitos dos seguintes crimes:

Núcleo político e assessores da Presidência

Vetores de propagação e desinformação

Servidores e ex-dirigentes da Abin

Polícia Federal

*Sob supervisão de Mayara da Paz



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/abin-paralela-carlos-bolsonaro-sera-investigado-na-1a-instancia-entenda/