(Foto: YouTube Gazeta do Povo)

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Após ingressar com recurso para tentar anular o julgamento que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, Leniel Borel voltou a criticar a decisão e a condução do Tribunal do Júri. Em entrevista à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios, o pai do menino morto em 2021 aos 4 anos de idade, afirmou que a sentença representa um precedente perigoso para casos de violência contra crianças e defendeu a realização de um novo julgamento.

Para Leniel, o resultado do juglamento causou revolta não apenas à família de Henry, mas também à sociedade. "Para as nossas crianças e para as nossas famílias, abre-se um precedente. Estamos vendo uma decisão que pode levar a perdermos novos Henrys, novas Isabellas Nardoni, novos Bernardos Boldrinis e várias outras crianças que morrem todos os dias. O que vimos foi um Judiciário que favorece isso", apontou.

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O perdão judicial a Monique fez o ex-vereador carioca Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, preparar o recurso à juíza Elizabeth Machado Louro que será apresentado contra a condenação dele a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pela tortura e assassinato do ex-enteado.

Da condenação ao perdão judicial

Segundo Leniel, a decisão que concedeu o perdão judicial a Monique não encontra respaldo diante dos fatos discutidos ao longo dos 11 dias de julgamento. "Não estamos falando de um acidente. A tese do acidente foi levantada lá no começo, mas caiu durante o processo. Monique foi condenada. Foi condenada pela primeira vez por homicídio doloso. Depois houve uma nova quesitação e, ainda assim, ela acabou condenada por homicídio culposo e recebeu perdão judicial. É um absurdo", declarou.

O pai de Henry também afirmou que a equipe jurídica já trabalha para reverter o resultado. "O Ministério Público já recorreu e nós, como assistência de acusação, também estamos recorrendo. Vamos pedir a anulação desse júri. Entendemos que os jurados já haviam decidido pelo homicídio doloso. Isso está registrado em ata. Não é uma interpretação minha", disse.

Ao comentar a atuação da magistrada responsável pelo julgamento, Leniel contou ainda que pretende levar questionamentos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Exijo que o CNJ se manifeste. Nós vamos pedir a suspeição dessa juíza. O que vimos ali foi uma aberração judicial. Quem acompanhou os 11 dias de julgamento viu uma condução que, na nossa avaliação, influenciou o resultado", reforçou.

Agressões anteriores contra Henry

Durante a entrevista, Leniel também relembrou os elementos apresentados pela acusação para sustentar que havia sinais anteriores de agressão contra Henry. Segundo ele, testemunhas, familiares e até os próprios réus relataram episódios que demonstrariam um histórico de violência.

"Foram apresentados diversos cenários de agressão e tortura. Houve relatos da babá, de familiares, da psicóloga, além de falas da própria Monique e do próprio Jairinho. Estamos falando de situações que foram debatidas e comprovadas durante o júri", disse.

Na avaliação do pai de Henry, a responsabilidade atribuída a Monique está diretamente relacionada ao papel de proteção esperado de uma mãe. "Nunca esperei que a Monique fosse a melhor mãe do mundo. Mas o mínimo que a sociedade espera é que uma mãe seja protetora. Em várias oportunidades ela poderia ter retirado o Henry daquele cenário. É isso que torna esse caso tão grave", opinou.

Ao falar sobre Jairinho, ex-padrasto condenado pela morte de Henry, Leniel o classificou como alguém que demonstrava comportamento violento recorrente. "Hoje sabemos que ele tinha um modus operandi. Foi revelado durante o júri um comportamento sádico contra crianças. Jairinho é um monstro. Mas, para mim, a responsabilidade da Monique é ainda mais dolorosa porque ela era mãe do Henry", declarou.

Pressões sofridas pela família

Leniel relembrou ainda os anos de investigação e a batalha travada desde a morte do filho. Segundo ele, houve tentativas de interferência e pressões ao longo do processo.

"Eu era apenas um pai, um engenheiro, lutando por justiça para o meu filho. Criei minhas redes sociais quando enterrei o Henry. Enquanto isso, havia pessoas influentes tentando modificar cenários, apagar conversas e interferir na investigação. Foram cinco anos de luta até chegar a esse julgamento", disse.

O pai de Henry garantiu que seguirá mobilizado para que o caso seja reavaliado pela Justiça e relacionou sua atuação à defesa de outras crianças vítimas de violência doméstica.

"Não larguem a nossa mão. Ontem foi o meu filho. Amanhã pode ser o filho ou o neto de qualquer pessoa. A violência contra crianças é muito maior do que eu imaginava. Nós avançamos com a Lei Henry Borel e salvamos muitas vidas, mas não adianta lutar sozinho quando vemos decisões como essa", concluiu.

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