Até o momento, não surgiu mecanismo melhor que o capitalismo para gerar riqueza por meio do trabalho. (Foto: Janno Nivergall/Pixabay)

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De forma simplificada, o sistema capitalista é um arranjo social que, como um ente coletivo, reúne o conjunto de unidades produtivas constituídas sob a propriedade privada do capital físico, a organização empresarial da produção e o trabalho assalariado.

A unidade produtiva, como dito acima, é constituída por pessoas naturais (os sócios) que tomam a iniciativa de comprar máquinas, equipamentos e prédios, apropriar-se de recursos da natureza e contratar trabalhadores para produzir algum bem ou serviço.

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A unidade produtiva passa a ter existência no mundo jurídico a partir de sua inscrição no cadastro nacional de pessoas jurídicas. Nasce daí a “empresa”, com vida no mundo dos negócios e vida própria, sob a direção de pessoas naturais.

O conjunto nacional de fatores necessários à produção é classificado pelos economistas em quatro categorias: recursos naturais (matérias-primas), capital físico, trabalho e iniciativa empresarial.

O capitalismo pode ser definido como uma “máquina de produzir” movida pela busca de eficiência e da maior produtividade possível

Esses quatro fatores de produção estão presentes no sistema econômico operado por quatro entidades: pessoas, empresas, governo e resto do mundo. Essas são as primeiras lições ensinadas nos cursos de Economia, e não se trata de algo inventado por ninguém isoladamente, mas resultante da evolução natural da humanidade.

Como ente coletivo composto por todas as unidades produtivas (todas as empresas), o capitalismo foi inventado para resolver os problemas de o que produzir, o quanto produzir, para quem produzir e como produzir.

Para cumprir sua missão e obter o maior volume de bens e serviços com o menor uso de recursos, o capitalismo pode ser definido como uma “máquina de produzir” movida pela busca de eficiência e da maior produtividade possível.

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Do ponto de vista da produção, essa máquina é o melhor sistema que a humanidade conseguiu inventar e que, submetido a um regime de competição, é capaz de se reinventar e inovar de maneira rápida e intensa.

É essa lógica que consegue prover a humanidade de abundantes produtos (bens e serviços), a preços acessíveis e de boa qualidade. Num primeiro momento, essa é a função principal da empresa, que pode ser traduzida numa palavra: eficiência.

Ocorre que a humanidade é muito diversificada e uma parte da população não consegue participar do sistema produtivo, seja por fragilidades individuais ou por questões sociais quanto à insuficiência de vagas para todos. Resulta daí certo grau de desigualdade social.

Talvez o maior desafio do capitalismo competitivo seja, ao lado da sua imensa capacidade produtiva, conseguir reduzir as desigualdades e incorporar os menos capazes e os fracos. Essa função tem sido historicamente atribuída ao governo, como representante de toda a sociedade.

Fala-se muito em reformar o capitalismo. Porém, qualquer evolução deve começar com a reforma do Estado

De certa forma, a social-democracia nasceu com a ideia de que a mitigação dos problemas deveria ser dada pelo Estado, atuando como “máquina de distribuir”, usando recursos retirados da sociedade em forma de tributação.

O grande problema dos últimos 100 anos é que, nessa equação, surgiram duas falhas: 1. o Estado ao redor do mundo tem falhado em seu papel social; 2. o governo tem gastado demais e de forma distorcida, inclusive criando ele próprio uma série de benefícios e privilégios àqueles que o compõem.

Fala-se muito em reformar o capitalismo. Porém, qualquer evolução deve começar com a reforma do Estado, das regras de governo e das distorções das estruturas estatais, em todos os níveis e poderes. Esse é um começo do bom debate.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos



Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-pio-martins/origem-da-empresa-capitalismo/