Armado apenas com uma bandana e as próprias mãos, Clarence Chua, de 42 anos, resgata abelhas, retirando-as de ninhos e colocando-as em caixas de madeira para realocação, às vezes até em seu próprio quintal.

“O que eu gosto nelas é que, se você as respeita e não ameaça a segurança delas, elas ficam totalmente bem em estar perto de você”, disse Chua.

Quando moradores de Singapura, um país tropical, encontram abelhas fazendo ninhos em suas casas, eles normalmente chamam o controle de pragas, que pode exterminar os enxames em minutos por cerca de S$ 80 a S$ 150 (R$ 323 a R$ 605). Mas Chua conseguiu convencer um número crescente de pessoas a permitir que ele resgate as abelhas por valores entre S$ 100 (R$ 404) e S$ 500 (R$ 2.020).

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Nos últimos seis anos, ele realocou com segurança uma média de 100 ninhos por ano, o que dá cerca de 6 milhões de abelhas salvas.

As realocações humanitárias envolvem mover todo o ninho, mantendo a rainha, os filhotes e as operárias intactos em sua colônia. Depois, elas são levadas para três apiários que ele administra, um dos quais fica em seu próprio quintal.

Chua já resgatou abelhas dos mais diversos lugares inusitados, desde uma “casa de espíritos” em um condomínio até o motor de um avião, que não pôde decolar até que o enxame fosse realocado.

Com o aumento da conscientização sobre o resgate de abelhas, ele observou que os conselhos municipais locais, que administram os conjuntos habitacionais onde quase 80% da população vive, também começaram a contratar seus serviços.

Ainda assim, o trabalho não é isento de perigos.

Certa vez, ele tentou resgatar um enxame que acreditava ser de abelhas dóceis na varanda de um condomínio, mas foi atacado por elas. Nos 30 segundos que levou para soltar seu equipamento de segurança e escapar, ele sofreu cerca de 100 picadas.

“Isso realmente me ensinou a não subestimar a natureza”, disse ele, acrescentando que ainda se aproxima dos ninhos sem roupa de proteção no início, para avaliar melhor o comportamento das abelhas antes de vestir o traje caso o enxame pareça agitado.

Chua defende o resgate de abelhas nas redes sociais. Vídeos de suas ações, alguns gravados em primeira pessoa com óculos da Meta, já atraíram cerca de 20 mil seguidores.

“Sem abelhas, haverá muito menos frutas ou frutas muito mais caras, porque falta polinização no mundo… Essa é uma quantidade impressionante de culturas das quais dependemos para nossa própria sobrevivência”, disse ele.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/a-missao-de-realocar-6-milhoes-de-abelhas-em-singapura/